Mossoró virou território em disputa. Facção contra facção. Rua contra rua. Bairro contra bairro. E o Estado assiste.
A fala do delegado Caetano Baumann não foi apenas um alerta. Foi um diagnóstico. Cru. Direto. Real. “Se as forças de segurança não fizerem um trabalho de investigação, Mossoró vai ficar um lugar impossível de se viver.” E já está ficando.
Sessenta e quatro mortes violentas em menos de seis meses. Assassinatos quase diários. Execuções em plena madrugada. Rajadas de fuzil. Casas invadidas. Gente morrendo dentro de casa. A cidade mergulhou numa guerra urbana. E o governo responde com marketing.
O problema da propaganda é que ela não sobe morro. Não entra em viela. Não enfrenta facção. Não ocupa território perdido. Propaganda não prende criminoso. Não impede execução. Não devolve paz a bairro dominado pelo medo.
Malvinas virou trincheira. Barrocas, Paredões, Belo Horizonte e até a Maísa caminham para o mesmo destino. Muros pichados com siglas criminosas. A cidade loteada pelo crime. Cada parede é uma assinatura de domínio. Cada sigla, um recado: “Aqui tem dono”.
E o Estado desapareceu.
A única “grande resposta” apresentada até agora foi o envio de dez agentes da Polícia Civil. Dez. Uma medida tão pequena que chega a ser ofensiva diante do tamanho da tragédia. Mossoró é a segunda maior cidade do Estado. Vive uma escalada violenta sem precedentes. E recebe migalhas institucionais.
Enquanto isso, um prédio do 12º Batalhão segue quase pronto, abandonado pela burocracia. Dinheiro destinado desde 2020. Fizeram projeto, esqueceram muro. O retrato perfeito da gestão do PT. Improviso, lentidão e incompetência.
Há ainda mil aprovados da PM aguardando convocação do concurso de 2023. Um TAC previa formação em janeiro. Maio termina. Junho bate na porta. E nada. O governo empurra com a barriga enquanto a criminalidade avança em velocidade assustadora.
O delegado fez o que pouca gente no poder tem coragem de fazer. Infelizmente, falou a verdade.
Tomara que esteja errado. Mas, hoje, a cidade caminha exatamente para o abismo que ele descreveu.