O PT descobriu o áudio de Flávio Bolsonaro (PL) e do banqueiro Daniel Vorcaro como quem encontra ouro no quintal. Oito dias de manchetes. Oito dias de gritaria. Oito dias tentando vender ao país a fantasia do “Bolsomaster”, numa operação de propaganda tão desesperada quanto previsível.
Mas há um detalhe inconveniente. Um detalhe que a militância digital não consegue esconder debaixo do tapete vermelho do Planalto.
Os mesmos parlamentares do PT que berram contra o Banco Master se recusam a assinar a CPMI para investigar o Banco Master.
Curioso, não?
Querem ligar o banqueiro a Flávio. Mas não querem investigar o banqueiro. É como denunciar um incêndio e esconder os fósforos. A conta não fecha. Nunca fechou.
A esquerda brasileira vive desse truque barato. Transforma narrativa em cortina de fumaça. Repete uma manchete mil vezes até tentar converter suspeita em sentença. Mas política não é laboratório de marketing. E o problema do PT é que toda fumaça começa a revelar o fogo que está atrás deles próprios.
Afinal, por que tanto medo de uma CPMI?
Por que tanto esforço para blindar um banco cercado de perguntas? Por que o desconforto quando surgem relatos de bastidores envolvendo o presidente Lula e orientações para que Vorcaro não vendesse o banco?
O escândalo começa a ficar perigoso não para Flávio. Mas para quem governa.
E talvez esteja aí o verdadeiro pânico do PT. Porque, se escavarem fundo esse caso, a lama não sobe para a oposição. Ela explode no colo do próprio sistema político que hoje tenta posar de inquisidor moral.
No Brasil, o partido que mais fala em democracia sempre morre de medo de investigação.