No Brasil, a lógica é invertida, e escancarada. Em ofício enviado à Procuradoria-Geral da República, o ministro Gilmar Mendes pressiona pela investigação do senador Alessandro Vieira, justamente o relator da CPI do Crime Organizado que ousou propor o indiciamento de ministros do próprio Supremo.
O relatório do parlamentar, que citava Gilmar, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, foi derrotado por 6 votos a 4. Agora, o movimento que se vê é o contra-ataque: quem investigava passa a ser investigado.
No país, instituições deixam de atuar como freios e contrapesos e passam a operar em defesa própria. É o retrato perfeito de um sistema onde o poste, definitivamente, resolveu mijar no cachorro.