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Opinião: O poder das facções e os assassinatos de candidatos na América Latina

Opinião: O poder das facções e os assassinatos de candidatos na América Latina


Por: Ismael Sousa

O assassinato de Fernando Villavicencio, candidato à presidência do Equador, ocorrido nesta quarta-feira, enquanto deixava um comício em Quito, lança uma sombra perturbadora sobre o cenário político na América Latina. A facção criminosa “Los Lobos” reivindicou a autoria do crime. Esse assassinato levanta preocupações sobre a influência de facções e gangues nas eleições questionamento da integridade dos processos democráticos. Estamos testemunhando o estabelecimento de um poder paralelo organizado que se intromete, financia e molda os resultados das eleições em países sul-americanos.

A ocorrência de assassinatos de candidatos às vésperas de uma eleição não é uma novidade. Um exemplo disso foi a tentativa de assassinato do então candidato Jair Bolsonaro em 2018, quando foi esfaqueado durante um comício em Minas Gerais. Ele enfrentou dias de internação e por pouco não perdeu a vida. O véu que encobre os mandantes desse ato continua sem revelação. A narrativa de um "lobo solitário", como apresentado por Adélio Bispo, não cola. Há muita obscuridade sobre esse caso.

Outro caso de repercussão é o assassinato da vereadora Marielle Franco, que foi executada a tiros. Seu motorista também foi morto. A suspeita é que o crime organizado encomendou esses assassinatos como retaliação a suas denúncias no Rio de Janeiro, mais uma vez demonstrando como grupos poderosos podem silenciar vozes incômodas através de violência.

O homicídio de Fernando Villavicencio é uma tendência preocupante que parece ganhar terreno em toda a América Latina: a utilização do terror e da ameaça para influenciar os processos políticos e controlar o curso das eleições. É o narcoEstado minando a confiança nas instituições democráticas e deixa os cidadãos vulneráveis ​​a manipulações criminosas.