Soltura de Ramagem nos EUA desmoraliza narrativa da PF sobre cooperação internacional


A soltura do ex-deputado federal cassado Alexandre Ramagem (PL), ocorrida nesta quarta-feira (15) em Orlando, nos Estados Unidos, expõe um constrangimento direto para a Polícia Federal brasileira. Isso porque, a corporação havia sustentado que atuava em cooperação com autoridades americanas para viabilizar a extradição do ex-parlamentar ao Brasil, o que, na prática, não se confirmou.

Ramagem havia sido detido na última segunda-feira (13) por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), em razão de pendências migratórias, após perder o passaporte diplomático com a cassação de seu mandato, em dezembro de 2025. A expectativa, diante do discurso oficial, era de que a prisão pudesse evoluir para um processo de deportação ou extradição célere.

No entanto, a rápida liberação do ex-deputado desmonta essa narrativa da suposta articulação entre a Polícia Federal e o governo dos Estados Unidos.

Ramagem está no país norte-americano desde setembro de 2025, após deixar o Brasil em meio ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que o condenou a 16 anos de prisão no âmbito da chamada “trama golpista”. Sua saída do território nacional foi interpretada pelo governo Lula como fuga.