“Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei.” Essa frase nunca foi tão atual.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enxergou crime no caso Bolsonaro sem minuta assinada, sem ordem executada e sem golpe consumado. Mas curiosamente não viu nada de irregular no caso Alexandre de Moraes, mesmo diante de um contrato de R$ 129 milhões entre o escritório de sua esposa e o Banco Master.
A resposta rápida da PGR, arquivando a denúncia contra Moraes e sua esposa, não surpreendeu ninguém. Era o desfecho óbvio. Num Judiciário completamente aparelhado, só faltava mesmo o sabor da pizza, quente, bem servida e sem constrangimento.
O Brasil vive há anos uma corrosão silenciosa dos Poderes. O que deveria ser equilíbrio virou submissão. O que deveria ser freio virou aplauso. Hoje, um Poder manda em tudo, ou melhor, um único ministro.
Ele tem a caneta. Ele define o que é crime. Ele escolhe quem pode falar. Ele dita o ritmo da política, do Congresso e da opinião pública.
Se dependesse dele, o Congresso nem existiria. O Executivo, figurante. A Constituição, um detalhe inconveniente.
O que temos não é mais uma democracia plena. É uma demoniocracia, onde o poder não emana do povo, mas de decisões concentradas, seletivas e convenientes. Onde a lei não é igual para todos, mas moldada conforme o alvo.
Aos aliados, silêncio e proteção. Aos adversários, processos, manchetes e punição exemplar.
A pergunta que fica não é retórica. Até quando essa República de bananas vai se sustentar fingindo normalidade? Ninguém sabe. Mas uma coisa é certa, quando a Justiça perde a credibilidade, o Estado já começou a ruir.