Pichar uma estátua com um batom é um crime muito, mas muito mais grave do que ameaçar esmurrar um jornalista e quebrar todos os seus dentes porque os artigos dele em um jornal de grande circulação no país não agradavam ao banqueiro envolvido em R$ 50 bilhões de desvios e escândalos. Acostume-se. Esse é o novo Brasil. A democracia inabalável dos togados da Suprema Corte, atolados até o pescoço.
Vorcaro trata a República como uma rapariga sua. Paga caro e coloca todos no bolso. Manda e desmanda. Políticos, ministros do Supremo, presidentes do Banco Central, até o presidente da República. Ele está preso, mas não será por muito tempo. Já já estará solto, zombando da cara do povo. Sabe por quê? Porque no Brasil o crime compensa para quem é poderoso e para quem manda no poder em Brasília.
Lembra dos irmãos Batista? Envolvidos, presos e soltos, voltaram mais ricos e poderosos do que nunca, com influência no atual governo. O Brasil é irrecuperável. As entranhas do poder estão corroídas e quem tentar consertar isso vai ser preso. Débora, evangélica, cabeleireira, sem histórico de crimes, mãe de duas crianças, foi presa e pegou 14 anos de cadeia por pichar com um batom uma estátua que foi limpa em quatro minutos com um jato d’água. O sistema vê nela uma golpista de altíssima periculosidade. Mas o banqueiro, com trânsito livre entre os togados, será apenas, já já, um mero detalhe esquecido em matérias de rodapé de jornal. O sistema não vai sacrificar um dos seus e levar todos para a cova.
Vorcaro, quando solto, vai escrever na testa da grande imprensa brasileira a frase “Perdeu, Mané”, e não será de batom. Mas de caneta Montblanc.