A Bahia é hoje o estado mais violento do país. Facções mandam em bairros inteiros. O medo virou rotina.
Nesta semana, três instaladores de internet foram sequestrados, torturados e executados por não pagar taxa ao crime organizado.
E o Ministério Público da Bahia faz o quê? Move uma ação civil pública contra uma cantora. Pede R$ 2 milhões de indenização. Exige retratação pública. Tudo por uma troca de verso em uma música de carnaval.
O MP-BA acusa “discriminação religiosa”. Por Claudia Leitte cantar “Yeshua” em vez de “Iemanjá”. Cláudia Leite é evangélica, e isso no Brasil está quase virando um crime.
O Brasil é um Estado laico. Laico não é antirreligioso. Laico é liberdade. Inclusive liberdade artística. Inclusive liberdade de expressão cultural.
Enquanto trabalhadores são mortos por facções, o MP escolhe o palco. Escolhe o microfone. Escolhe a letra da música.
Onde está essa mesma energia contra o crime organizado? Contra as milícias modernas travestidas de facção? Contra o terror imposto a quem só quer trabalhar?
Três pais de família morreram. Não houve nota dura. Não houve coletiva nacional. Não houve pedido milionário.
Mas houve tempo para patrulhar verso. Houve pressa para judicializar fé.
O MP-BA não tem mais o que fazer? Não há prioridades a rever?
A Bahia sangra. O povo tem medo. E o Ministério Público parece preocupado com o refrão.
R$ 2 milhões por uma palavra cantada. Zero reais pela vida de três trabalhadores.
Essa ação do MP é de fazer Kim-Jon-Un, ditador da Coreia do Norte, ficar com inveja. O Brasil não chegou nessa desgraça à toa. Tem todo um processo, e o aparelhamento do judiciário foi só um deles.