A política tem dessas ironias. Durante a campanha eleitoral, a prefeita de Macau, Flavinha Veras, não economizou disposição para subir no palanque, declarar apoio a Lula e Cadu Xavier e defender o projeto político do grupo governista. Fez o L, vestiu a camisa vermelha do PT e participou da mobilização eleitoral. Passadas as eleições, veio a bomba. A prefeitura quebrou. Redução de receitas, contenção de despesas, exonerações e uma gestão que admite dificuldades para manter sua estrutura administrativa.
Em comunicado oficial, a gestão anuncia cortes nos gastos com combustíveis, energia elétrica, horas extras, locação de máquinas e equipamentos, além da revisão de despesas administrativas. A medida mais emblemática, porém, é a exoneração dos ocupantes de cargos comissionados. Muitos desses fizeram o “L”, e se lascaram. A prefeita também encaminha projetos de lei para reduzir em 18% os próprios subsídios, os do vice-prefeito, dos secretários municipais e as remunerações dos cargos em comissão. É o retrato de uma administração que agora precisa explicar como chegou a esse cenário e por que as medidas de austeridade se tornaram necessárias justamente após as eleições.
Se as receitas municipais estão em queda, a população tem o direito de saber quanto caiu a arrecadação, onde estão os recursos, quais despesas comprometeram o orçamento e quais providências foram adotadas preventivamente.
