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Em 2021, parlamentares petistas divulgaram nota contra a definição do Hamas como terrorista

Em 2021, parlamentares petistas divulgaram nota contra a definição do Hamas como terrorista


Uma carta divulgada em 2021 por 10 deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) se opondo à rotulação do grupo Hamas como "terrorista" tem gerado mal-estar no governo brasileiro. Essa manifestação ressurge à tona agora, em 2023, com destaque para o fato de que dois integrantes desse grupo de deputados ocupam cargos ministeriais importantes: Alexandre Padilha, nas Relações Institucionais, e Paulo Pimenta, na secretaria de Comunicação da Presidência da República.

A carta, que foi tornada pública há aproximadamente dois anos, veio como resposta à declaração da secretária do Interior da Inglaterra, Priti Patel, que designou o Movimento de Resistência Islâmico - Hamas - como uma "organização terrorista". O texto expressa "profundo descontentamento" com a declaração de Patel, considerando-a polêmica e discordante com a posição adotada por aqueles deputados.


Leia a íntegra do manifesto de deputados, movimentos e entidades em 2021:

"Resistência não é terrorismo!

Todo apoio ao povo palestino na luta por legítimos direitos

Os parlamentares, entidades e lideranças brasileiras que subscrevem este documento, expressam o seu profundo descontentamento à declaração da secretária do Interior da Inglaterra, Priti Patel, que atribuiu ao Movimento de Resistência Islâmico – Hamas, a designação de “organização terrorista”, alegando falsamente que o Movimento palestino seria “fundamentalmente e radicalmente antissemita”.


Este posicionamento representa uma extensão da política colonial britânica, em desacordo com a posição da maioria do povo da Inglaterra, que se opõe à ocupação israelense e aos seus crimes. Seu objetivo é claro: atingir a legítima resistência palestina contra a ocupação e o apartheid israelense, numa clara posição tendenciosa em favor de Israel e tornando-se cúmplice das constantes agressões aos palestinos e aos seus direitos legítimos.

O direito à resistência assegurados pelo Direito Internacional e Humanitário, pela Carta das Nações Unidas e por diversas Resoluções da ONU, entre elas as de nº 2.649/1970, 2.787/1971 e 3103/1974, reiterando o direito de todos os povos sob dominação colonial e opressão estrangeira de resistir ao ocupante usurpador e se defender.

A resistência é um legítimo direito dos palestinos contra a ocupação e as reiteradas violações dos direitos humanos, bem como os crimes de guerra. Direito que os palestinos não abrem mão e para o qual, contam com o nosso apoio e solidariedade à sua causa de libertação e pelo seu Estado nacional palestino.

Brasil, 23 de novembro de 2021."

Deputada Érika Kokai (PT-DF)
Deputada Fernanda Melchiona (PSOL-RS)
Deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ)
Deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC)
Deputada Professora Rosa Neide (PT-MT)
Deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP)
Deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ)
Deputado Alexandre Padilha (PT-SP)
Deputado Camilo Capiberibe (PSB-AP)
Deputado David Miranda (PSOL-RJ)
Deputado Enio Verri (PT-PR)
Deputado Gláuber Braga (PSOL-RJ)
Deputado Helder Salomão (PT-ES)
Deputado Ivan Valente (PSOL-SP)
Deputado Nilto Tatto (PT-SP)
Deputado Orlando Silva (PCdoB-SP)
Deputado Padre João (PT-MG)
Deputado Paulão (PT-AL)
Deputado Paulo Pimenta (PT-RS)
Deputado Zeca Dirceu (PT-PR)
Instituto Brasil Palestina – IBRASPAL
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Central Única dos Trabalhadores – CUT
Partido Socialismo e Liberdade – PSOL
Federação Árabe Palestina do Brasil – FEPAL