Dois dias depois de ser defendido publicamente pelo diretor da Polícia Federal, que afirmou que ele não tinha ligação com o PCC, Victor Henrique de Oliveira Shimada acabou sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos nesta quarta-feira (1º/7) por vínculo com o Primeiro Comando da Capital. A sequência dos fatos expõe um constrangimento monumental: enquanto a PF tentava afastar qualquer suspeita, Washington colocou o nome de Shimada na lista de alvos ligados à facção.
Shimada foi condenado pela Justiça Federal de São Paulo em 2025 no caso envolvendo o furto de R$ 35 milhões de uma conta do Banco Votorantim. O crime ocorreu por meio de 2.799 transferências feitas em apenas 11 horas. Segundo a sentença do juiz Massimo Palazzolo, da 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo, o dinheiro foi transferido para uma conta em nome da empresa Victory Trading, que pertence a Shimada e também foi alvo da sanção do governo de Donald Trump. Como mostrou o Metrópoles, a Victory é investigada por suspeita de desvio de dinheiro no escândalo da Vai de Bet no Corinthians.
A pergunta que fica é inevitável e incômoda: como alguém defendido há dois dias sob a alegação de que não tinha ligação com o PCC termina sancionado pelos Estados Unidos justamente por esse mesmo vínculo? O episódio escancara a fragilidade da defesa feita pela PF e joga ainda mais luz sobre a gravidade das suspeitas que cercam Shimada e suas empresas.
Shimada chegou a ser preso em dezembro de 2024 e solto menos de um mês depois. O Ministério Público o denunciou por furto qualificado e lavagem de dinheiro. Na denúncia, o órgão afirmou que Shimada utilizou sua empresa para “aplicar o dinheiro espúrio em atividades financeiras, notadamente na compra de criptomoedas, com o escopo de ocultar e dissimular a origem dos recursos obtidos de maneira ilícita”. Ele alegou ser inocente.