Por: Ismael Sousa
A fuga dos dois detentos do Presídio Federal em Mossoró surpreende não só pela audácia, mas também por uma sequência de coincidências e falhas que beiram o inacreditável.
Os dois presos, isolados em Regime Disciplinar Diferenciado, conseguiram, cada um no seu quadrado, orquestrar uma fuga digna de filme. Ambos do Acre e ligados ao Comando Vermelho, a facção que tem Fernandinho Beira-Mar como líder -, e que está preso também em Mossoró. Coincidência ou ironia do destino?
Mesmo em salas diferentes, os detentos conseguiram remover uma luminária e escapar através de um buraco no teto, em um presídio aparentemente construído com alvenaria simples. A fragilidade estrutural chama atenção.
Já do lado de fora, a surpresa continua. Munidos de ferramentas de obra, incluindo alicates para cortar grades, eles conseguiram superar a falta de uma mureta no presídio. O que era para ser uma fortaleza, virou um jardim de infância.
Para tornar a situação ainda mais curiosa, parte das câmeras de segurança decidiu dar uma pausa no momento da fuga, se recusando a testemunhar a ousadia dos detentos.
E como fechar com chave de ouro? Com a declaração do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmando que, devido ao período de carnaval, houve um relaxamento. Carnaval, fuga de presos, alvenaria frágil, alicates e líderes do Comando Vermelho – uma série de coincidências que merece explicações. A coletiva do Secretário de Políticas penais não me convenceu.