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Internacional

Por que Lula não culpa Bolsonaro pelo tarifaço chinês?

Por que Lula não culpa Bolsonaro pelo tarifaço chinês?

Há algo que me intriga na política brasileira: a indignação tem nacionalidade. Se a tarifa vem dos Estados Unidos, instala-se um espetáculo de discursos inflamados, soberania, culpa da oposição e, se possível, da família Bolsonaro. Mas quando a China impõe uma sobretaxa que, na prática, inviabiliza parte das exportações brasileiras de carne bovina, o silêncio toma conta do Palácio do Planalto.

É curioso. A China também adota medidas comerciais para defender seus interesses. Os Estados Unidos também. Nenhum dos dois age por amizade ou ideologia; agem por estratégia nacional. A diferença é que, diante de Washington, o governo Lul transforma o episódio em palanque político. Diante de Pequim, prevalece a conveniência do silêncio.

Se o governo acredita que um tarifaço americano pode ser atribuído à atuação política de Flávio Bolsonaro ou de seus aliados, por que não aplica a mesma lógica quando a decisão parte da China? Bolsonaro também influenciou Pequim? Ou essa tese só vale quando serve à narrativa? A diplomacia não pode ser seletiva, nem a indignação pode depender da bandeira do país que toma a decisão.

Governar é enfrentar problemas, não terceirizar responsabilidades. Um governo que atribui seus fracassos diplomáticos apenas aos adversários corre o risco de transformar a política externa em propaganda interna.

A soberania nacional defendida por Lula é tão fajuta quanto sua promessa de que o brasileiro vai voltar a comer picanha.