O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia, com passivos de R$ 17,3 bilhões, acende uma luz vermelha em Brasília. Uma das marcas mais conhecidas do varejo brasileiro chegou ao limite depois de enfrentar restrições de crédito, dificuldades de liquidez, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo.
A própria empresa aponta o ambiente de juros elevados entre os fatores que agravaram sua situação econômico-financeira. E é justamente aí que começa a discussão que o governo Lula prefere evitar: quanto tempo uma economia consegue sobreviver com crédito caro, consumo pressionado e empresas pagando cada vez mais para financiar suas operações?
É impossível ignorar o ambiente macroeconômico. Quando o dinheiro fica caro, o crédito seca, o consumidor parcela menos e as empresas passam a gastar uma fortuna apenas para carregar suas dívidas.
O caso das Casas Bahia é emblemático porque estamos falando de uma gigante do varejo, justamente um dos setores que mais sentem a temperatura do bolso do brasileiro. Se o consumidor perde poder de compra e o crédito fica proibitivo, a conta chega. Primeiro para as pequenas empresas. Depois para as grandes. E, no fim, para o trabalhador, que vê empregos, renda e oportunidades serem ameaçados.
O brasileiro assiste ao governo comemorar números pontuais e vender a impressão de que está tudo sob controle. Quando a economia dá sinais de enfraquecimento, a resposta é sempre encontrar uma justificativa, culpar o cenário internacional ou apontar para problemas herdados.
Paga o consumidor, com juros absurdos no cartão e no financiamento. Paga o empresário, com crédito cada vez mais caro. Paga o trabalhador, quando empresas deixam de investir ou começam a cortar custos. E paga o contribuinte, quando o governo precisa conviver com uma dívida pública crescente e uma máquina estatal cada vez mais cara.
Faz o L.