O ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (Niaid), Anthony Fauci, invocou a Quinta Emenda da Constituição americana mais de cem vezes durante uma audiência no Senado nesta quarta-feira (29) e se recusou a responder às perguntas dos parlamentares sobre sua gestão da pandemia de covid-19 e sobre a origem do vírus.
Fauci foi convocado por intimação do senador republicano Rand Paul, presidente do Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado. Paul é um dos críticos mais antigos do infectologista e já pediu, em diferentes ocasiões nos últimos anos, que ele fosse indiciado criminalmente por suposto perjúrio ao Congresso.
Ao justificar a recusa em responder, Fauci acusou o senador de manter uma “obsessão desquiciada” para vê-lo processado. “Dada a evidente obsessão do senador Paul em exigir meu indiciamento, seus repetidos comentários difamatórios contra mim e, recentemente, a divulgação sem qualquer edição do meu diário pessoal com o propósito de me constranger e intimidar, só posso concluir que a única razão para me convocar perante este comitê é fazer com que eu diga algo que sustente suas promessas públicas repetidas de que vou terminar, nas palavras dele, ‘atrás das grades’”, declarou o ex-conselheiro médico.
A sessão teve ainda o caso da retirada do advogado de Fauci, David Schertler, escoltado por policiais do Capitólio depois de tentar intervir repetidas vezes para reforçar o direito do cliente de recorrer à Quinta Emenda. Durante o interrogatório, o senador Ron Johnson, republicano de Wisconsin, chegou a exibir o que descreveu como estudos sobre o uso da ivermectina no tratamento da covid-19.
A audiência se dá depois de Paul divulgar, na semana passada, mais de mil páginas do que apresentou como um diário pessoal mantido por Fauci ao longo da pandemia. Fauci recebeu, em janeiro de 2025, um perdão amplo concedido pelo então presidente Joe Biden, que cobria qualquer eventual infração cometida entre 2014 e 2025.