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Uso de maconha na adolescência pode causar esquizofrenia, alerta psiquiatra

Uso de maconha na adolescência pode causar esquizofrenia, alerta psiquiatra

O médico psiquiatra Dr. Daniel Sampaio, e o enfermeiro Francisco Benevides, especialista em saúde mental, participaram do programa Jota Nobre no Comando Geral, da RPC, nesta quinta (1º), falando sobre o aumento do uso de substâncias ilícitas entre os jovens mossoroenses e a falta de ações de combate à dependência química.

Dr. Daniel, que é diretor técnico do Hospital São Camilo de Lelys, destacou a falta de políticas públicas para combater o uso de drogas, principalmente entre os adolescentes. Ele alertou para o uso frequente da maconha, substância facilmente obtida e largamente cultivada, que tem aumentado os casos de internamento no Hospital psiquiatra de Mossoró.

"Uma das importantes causas de internação no hospital psiquiatra são dos jovens que iniciam o uso de maconha e desenvolvem uma doença incurável, a esquizofrenia. A pessoa pode nunca desenvolver ela, mas se você faz uso da maconha durante algum período da vida, principalmente na adolescência, pode desenvolver essa doença, que é considerada a mais grave da psiquiatria", alertou Dr. Daniel.

Dr. Daniel Sampaio complementou ainda sobre as dificuldades de se intensificar os tratamentos e os acompanhamentos dos dependentes químicos, principalmente pela falta de investimentos dos governos nos equipamentos de saúde mental. Ele entende que o tratamento não depende só da força de vontade do usuário em querer largar o vício, mas de uma melhor qualidade dos equipamentos de assistência.

"Isso de dizer que o usuário não quer tratamento, é uma mentira do político que não quer fazer nada. Em uma administração passada, nós do São Camilo ficamos trabalhando sem receber, as pessoas doaram alimentos, os empresários doaram medicamentos e material de construção para que o hospital não fosse fechado".

O enfermeiro Francisco Benevides, por sua vez, ressaltou a importância das clínicas de recuperação que, acolhem os dependentes químicos e fazem os cuidados dos usuários e de seus familiares na cidade. Ele destacou o trabalho que vem desenvolvendo, junto com Dr. Daniel, no Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas (CAPS AD) e no Centro Terapêutico Nova vida, equipamento filantrópico que é mantido pela Igreja Assembleia de Deus.

"Recebemos internos que apresentam algum tipo de dependência química e lá fazemos esse cuidado tanto do usuário como também dos seus familiares. No CAPS, as pessoas são acolhidas pela demanda social e fazemos esses encaminhamentos necessários para a assistência, com uma equipe multiprofissional", explicou.