O prefeito de Areia Branca, Souza (UB), assumiu a gestão municipal em janeiro deste ano com o discurso de terra arrasada. Em coletiva de imprensa, afirmou ter encontrado um rombo de R$ 133,2 milhões nas contas da Prefeitura, atribuindo à herança financeira os entraves enfrentados no início da administração.
O discurso, no entanto, começa a perder força diante dos números oficiais de gastos com festas no município.
Dados do Painel Festejos, do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN), mostram que Areia Branca está entre as cidades da região Oeste que mais gastaram com a contratação de bandas e atrações artísticas em 2025. Somente neste ano, a gestão Souza já desembolsou mais de R$ 6 milhões com eventos festivos.
O contraste chama atenção. De um lado, um suposto cenário de colapso financeiro herdado; do outro, gastos milionários com entretenimento bancados com recursos públicos.
A contradição se torna ainda mais evidente quando se observa a arrecadação do município. Apenas em 2025, Areia Branca recebeu mais de R$ 11 milhões em royalties do petróleo, fonte robusta de receita que reforça a tese de que dinheiro não falta nos cofres públicos.
Se o rombo de R$ 133,2 milhões é real e compromete a capacidade financeira do município, por que Areia Branca figura entre as campeãs de gastos com festas na região? Se há recursos de sobra para atrações musicais, por que o discurso de crise segue sendo utilizado como justificativa para problemas estruturais e limitações administrativas?