O servidor Público Aldiclécio Alves, técnico de enfermagem do Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), em Mossoró, afirma que está sendo alvo de perseguição política pela direção do hospital por cobrar melhorias nas condições de trabalho dos servidores.
Aldiclesio informa que foi transferido do local de trabalho (HRTM) pela II Sesap após mobilizar colegas enfermeiros para realizar um protesto cobrando equipamentos de proteção individual (EPIs) para atuarem no combate à pandemia do COVID-19 (Novo Coronavirus) em Mossoró.

Após a decisão de transferência do seu local de trabalho, colegas técnicos de enfermagem manifestaram apoio ao servidor. Uma nota de repúdio dos profissionais de enfermagem do HRTM foi divulgada nas redes sociais.
Confira:
Nota de repúdio dos profissionais de enfermagem do HRTM sobre a perseguição e transferência arbitrária do servidor Aldiclesio Alves Maia
Os servidores e servidoras da enfermagem do Hospital Regional Tarcísio Maia vem por meio desta nota manifestar REPÚDIO contra a transferência arbitrária e forçada do técnico de enfermagem Aldiclesio Alves Maia, que atualmente exerce sua função no HRTM e foi repentinamente devolvido para a II URSAP por motivos de perseguição política.
Em um momento que o Hospital Tarcísio Maia está com déficit de servidores, esta devolução se dá por motivos muito claros. Aldiclesio vem tomando a frente em denunciar a postura irresponsável da direção do HRTM em ser conivente com o atendimento a casos suspeitos de Coronavírus no interior da unidade, colocando assim em risco a vida de numerosos profissionais da saúde e pacientes e assumindo o risco de alastrar a pandemia em Mossoró, tal como ocorreu na Itália e na China. Além de denunciar o atendimento de pacientes suspeitos de Covid-19 no HRTM enquanto uma atitude irresponsável e contrária às normativas federais do Ministério da Saúde (que definem o Hospital Rafael Fernandes como referência para tais casos infecto-contagiosos), Aldiclesio também apontou e cobrou a falta de EPIs para profissionais da enfermagem, o que torna o contexto ainda mais grave e ameaça centenas de vidas no interior do hospital.
Enquanto Aldiclesio, junto a outras vozes da enfermagem, tentava evitar uma catástrofe anunciada, a direção respondeu com uma dura perseguição. Primeiramente, anunciaram um “racionamento” no uso dos EPIs, justo no momento que o ingresso de casos suspeitos de Coronavírus na unidade, tragicamente, só aumentava. Em segundo lugar, anunciaram a devolução arbitrária de Aldiclesio para a II URSAP, de maneira a silenciar os críticos da direção e daqueles que percebem que o hospital segue em rota de colapso, por culpa de uma postura irresponsável da direção que ameaça vidas de profissionais e pacientes e eleva o potencial destrutivo da pandemia em Mossoró.
Anunciamos, por fim, que a transferência arbitrária é contrária à Portaria nº 01/2020, de 08 de janeiro de 2020, que proíbe que qualquer servidor seja “cedido, transferido ou disponibilizado para outra unidade”. Esta portaria, por sinal, é assinada pela própria diretora geral do Hospital Regional Tarcísio Maia Herbênia Ferreira da Silva, que deu procedimento à transferência do servidor supracitado. Não poderia restar mais claro que se trata de um caso de perseguição política contra uma voz dissidente, dentre várias, que denunciam uma tragédia anunciada no Hospital Tarcísio Maia, que pode demonstrar efeitos drásticos em todo município de Mossoró.
O Sindsaúde RN também divulgou nota em apoio ao servidor Aldiclésio:
TODA SOLIDARIEDADE AO SERVIDOR DA SAÚDE, ALDICLESIO ALVES
O Sindsaúde RN vem por meio desta nota repudiar a perseguição política sofrida pelo técnico em enfermagem e servidor do Hospital Regional Tarcísio Maia, Aldiclesio Alves.
Diante da pandemia do novo coronavírus, o servidor vem denunciando a postura irresponsável da direção do Tarcísio Maia de atender casos suspeitos de Covid-19. De acordo com normas federais do Ministério da Saúde, o hospital referência para casos infecto-contagiosos seria o Hospital Rafael Fernandes. Aldiclesio também cobra os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para os servidores do Hospital. Após essas exigências, ele foi transferido arbitrariamente para a II Ursap.
O Sindicato entrou com uma ação judial solicitando que o estado garanta imediatamente os EPIs aos profissionais da saúde. A juíza plantonista determinou então que o estado adote medidas administrativas, financeiras e jurídicas para fornecer imediatamente esses equipamentos aos servidores.
Essa é a situação dos profissionais da saúde nesta pandemia de Covid-19. Além de estarem com duas folhas salariais atrasadas, sem EPIs e com muita sobrecarga de trabalho, ainda sofrem com assédio moral e perseguição política por parte das direções.
O Sindsaúde reforça seu repúdio a toda forma de perseguição política e assédio e se solidariza com o companheiro Aldiclesio.
Exigir melhores condições de trabalho é um direito, sobretudo nesta crise sanitária. Todos os servidores devem cobrar seus esquipamentos de proteção e devem se recusar a trabalhar sem eles. E, em casos de assédio, estes devem ser denunciados.