O pequeno município de Serra do Mel, no Oeste potiguar, com pouco mais de 13 mil habitantes, vive um contraste que chama a atenção. Enquanto a população ficou por mais de um ano sem acesso a um aparelho de Raio-X na rede pública de saúde, a Prefeitura destinou milhões de reais para a realização de festas.
A denúncia foi feita pelo vereador Aécio Araújo, que afirma que, há mais de um ano, pacientes são obrigados a se deslocar para cidades vizinhas, como Mossoró, para realizar exames básicos de imagem. A falta do equipamento compromete diagnósticos, atrasa tratamentos e expõe a precariedade da assistência em saúde no município.
O cenário contrasta com os gastos com eventos festivos. Dados do Painel Festejos, do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN), apontam que a Prefeitura de Serra do Mel já desembolsou R$ 4.391.050,00 com despesas relacionadas a festas.
A situação ganhou destaque com a edição da tradicional Festa do Caju, quando uma advogada de Mossoró foi espancada por policiais militares que atuavam na segurança do evento. O comando da Polícia Militar determinou o afastamento de 10 policiais envolvidos na ocorrência.
O que torna o episódio ainda mais sensível é o volume de recursos disponíveis nos cofres municipais. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou os valores dos royalties referentes ao mês de dezembro de 2025, com base na produção registrada em setembro. Serra do Mel liderou o ranking estadual, recebendo R$ 4.268.324,44 apenas neste mês.
No acumulado de 2025, o total de royalties recebidos pelo município ultrapassa a marca de R$ 55 milhões.
Como um município que arrecada dezenas de milhões em royalties do petróleo não consegue garantir um aparelho de Raio-X para a população, mas encontra recursos de sobra para bancar festas milionárias?
Serra do Mel gasta R$ 4,3 milhões em festas, fica mais de um ano sem Raio-X e recebe mais de R$ 55 milhões em royalties