Últimas

Robinson pede desculpas após dizer que imprensa é responsável por "sensação de insegurança"

Robinson pede desculpas após dizer que imprensa é responsável por "sensação de insegurança"

O governador Robinson Faria emitiu uma nota através das redes sociais sobre as declarações em que teria responsabilizado a imprensa pela crescente onda de violência durante entrevista a uma rádio de Natal.

Em entrevista à rádio 96 FM, na noite desta terça-feira (8), o governador afirmou que grande parte da sensação de insegurança da população acontecia por causa do "sensacionalismo" da imprensa local. "A mídia gosta dessas notícias. Por isso há uma sensação de insegurança muito grande", afirmou o governador.

Após repercutir em vários veículos de comunicação a nota do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte (Sindjorn), o governador pediu desculpas e disse que, de maneira alguma, quis dizer que o quadro de segurança no Rio Grande do Norte é o ideal nem apenas uma percepção.

Veja a nota do Sindjorn:

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte reprova veementemente a declaração dada nesta terça-feira (8) pelo Governador Robinson Faria de que o trabalho da imprensa potiguar é um dos responsáveis pela sensação de insegurança nos cidadãos potiguares. A declaração do governador desrespeita toda a classe jornalística, além de querer mascarar uma realidade vista nas ruas do Estado e confirmada através de dados de pesquisas e instituições como o Atlas da Violência e o Observatório da Violência Letal Intencional do RN (OBVIO).

Num estado onde o número de assassinatos já se aproxima dos 1.500 só em 2017 e que facções impõem medo em diversas partes do Estado, não cabe à imprensa resolver este problema. Isto deve ser uma postura de Governo. À imprensa cabe noticiar os fatos e não omitir informações e dados públicos à sociedade, e é o que colegas jornalistas têm feito todos os dias.

Minutos após a equivocada declaração do Governador a uma emissora de rádio de Natal, um tio da primeira dama, Julianne Faria, foi baleado durante o enésimo assalto a uma farmácia da capital potiguar. Precisa dizer algo mais?

Reforçamos nosso apoio aos colegas jornalistas em seu trabalho vital para a sociedade potiguar, e nos solidarizamos com as milhares famílias e vítimas de violência no Rio Grande do Norte.

Confira do governador:

Quero fazer um esclarecimento em relação ao áudio da entrevista que concedi ontem à uma emissora de rádio de Natal. Esse fato me fez repensar e cheguei a conclusão que preciso pedir desculpas por não me fazer entender. De maneira alguma, quis dizer que o quadro de segurança no Rio Grande do Norte é o ideal nem apenas uma percepção. Na própria entrevista reconheci, de público, que não estou satisfeito. As interpretações e comentários que estou acompanhando nas redes sociais são fruto de um recorte da prestação de contas das providências que estamos adotando para devolver a cada potiguar um estado seguro e de paz. O que não posso é desanimar. Hoje a minha maior preocupação como governador do estado é a segurança. Sou cobrado e assim deve continuar ocorrendo até que, juntos, possamos colher os resultados positivos dos investimentos e do endurecimento da postura governamental no combate à criminalidade. Apoio à polícia e tolerância zero ao crime!

Confira a nota do Governo:

A respeito da repercussão de declarações sobre a cobertura da imprensa com relação a casos de violência no Rio Grande do Norte, o Governo do Estado vem a público esclarecer que:

1 - O governador Robinson Faria sempre manteve uma relação não só de respeito, mas de amizade com a imprensa potiguar. É a imprensa uma das grandes parceiras para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte e não houve da parte do governador a intenção de desmerecer o sério trabalho jornalístico dos veículos de comunicação do nosso Estado;

2 – Ao comentar a cobertura da imprensa na área de segurança, o governador demonstra preocupação com a disseminação da sensação de medo à população, desproporcional à realidade, que já é duríssima;

3 - O combate à violência é responsabilidade do governo, que tem assumido com coragem, postura de acompanhamento e cobrança permanentes e disposição de vencer essa guerra, reflexo de uma problemática que aflige todo o país;

4 - Não há como retomar o sentimento de segurança e paz sem uma aliança inquebrantável entre governo, imprensa e sociedade.