A exoneração política do presidente da Caern, no atual cenário e contexto político no RN, está sendo vista como mais um erro crasso da governadora Fátima Bezerra na condução de seu futuro político. Sérgio Rodrigues era indicado do vice-governador Walter Alves, que preside o MDB no Estado, um adas maiores legendas no Estado, com mais de 40 prefeitos.
Recentemente, Walter informou à governadora que havia decidido não assumir o governo — em caso de saída dela para disputar o Senado —, mas que o partido apoiaria Lula à presidência. Para bom entendedor meia palavra basta.
Além disso, ao contrário do que vem sendo dito, pelo menos desde o segundo semestre de 2025, Walter Alves sinalizava à governadora sua intenção de não assumir. Quem vê agora as entrevistas de petistas falando sobre o assunto, pensa que tudo se deu de uma forma.
Mas a realidade é outra: quem causou a desistência de Alves, foi o próprio PT. Isso aconteceu quando não compartilhou decisões importantes que afetam a saúde fiscal do estado e que foram tomadas com um único objetivo: favorecer a pretensa candidata ao Senado.
No processo de transição, o vice-governador tomou conhecimento de que o RN que ele iria receber para governar não era o Estado equilibrado e austero que existe na imaginação dos petistas. Muito pelo contrário.
O RN de 2026 tem um quadro fiscal pior que o encontrado pela equipe de Fátima em 2019. Basta verificar o rombo entre receitas e despesas no Orçamento 2026, que foi elaborado pelo próprio Governo.
Walter foi transparente, honesto e corajoso ao definir que não assumirá o Executivo porque não compactua com o que foi feito e que trará imensos danos ao Estado.
Agora, com as exonerações, além de ter já provocado o afastamento de Walter, Fátima Bezerra promove agora o rompimento dela com qualquer possibilidade de apoio do MDB na sua candidatura. Afinal, em nenhum momento Walter disse que seu partido não poderia apoiar Fátima como segundo nome ao Senado.
A leitura final de todo esse episódio, que ainda se desenrola, é que Fátima errou dentro e fora do Executivo, administrativamente e politicamente, jogando o Estado em dificuldades e brigando com um partido que pode ser exatamente a diferença entre iniciar 2027 eleita ou não.
A história política brasileira ensina que nesses casos, há somente uma explicação que justifique tanta cegueira e falta de estratégia e a isso chamam de desespero. Não poderia haver sintomas mais claros.