Últimas
Política

Quanto custa salvar a democracia brasileira? R$ 129 milhões?

Quanto custa salvar a democracia brasileira? R$ 129 milhões?


Fico me perguntando. Salvar a democracia custa R$ 129 milhões? Esse é o valor do contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, para atuar na defesa de envolvidos no caso do Banco Master. Um petrolão que assusta. Mas que, curiosamente, não provoca escândalo proporcional na grande mídia.

A mesma mídia que transformou ministros togados em heróis da República, “salvadores da democracia”, ao condenar Jair Bolsonaro e até generais de quatro estrelas por uma suposta tentativa de golpe. Golpe esse que teria sido protagonizado por vândalos em um domingo, sem liderança, sem comando, sem plano e sem alguém sequer para sentar na cadeira de presidente caso a quartelada imaginária desse certo. Uma democracia que, ao que tudo indica, quase caiu sozinha… tropeçando em grades e vidraças.

Na prática, a democracia nunca esteve sob risco real. Mas a narrativa precisava ser repetida milhares de vezes até virar verdade. Onde mesmo já vimos esse método funcionar? Em algum país europeu do século passado, talvez. A história ensina, mas aqui virou manual.

O verdadeiro golpe foi outro. Foi retirar da cadeia um condenado em três instâncias e recolocá-lo no Palácio do Planalto como se nada tivesse acontecido. O verdadeiro golpe foi anular delações, relativizar devoluções milionárias e reescrever a Lava Jato como um conluio de juízes provincianos. O verdadeiro golpe foi governar pelo medo durante a pandemia, esvaziar o Executivo e concentrar decisões nas mãos de ministros do Supremo.

Hoje, o Brasil vive uma ruptura institucional silenciosa. O Congresso é um poder sem poder. O Executivo só funciona com autorização tácita da toga. E o Judiciário, que deveria arbitrar, passou a jogar.

O caso do Banco Master pode acabar em nada. Pode virar pizza, arquivamento elegante, silêncio constrangedor. Mas ignorá-lo é fingir que essa é uma história isolada. Não é. É apenas a ponta de um iceberg.

Tirar Bolsonaro do jogo político não foi um fato isolado, foi um processo. O sistema não queria derrotá-lo nas urnas, queria eliminá-lo do tabuleiro. Qualquer um que ousar enfrentar esse arranjo será tratado da mesma forma. Em nome, claro, da democracia. Aquela que, ao que tudo indica, anda muito cara, e cada vez menos democrática.