O Setembro Amarelo é uma campanha que surgiu com a ideia de quebrar tabus, reduzir estigmas e estimular que as pessoas tanto busquem, quanto ofereçam ajuda. Mas é fundamental lembrar que cuidar da mente não é algo restrito apenas a um mês: é um compromisso diário e válido para o ano inteiro.
O autocuidado, que muitas vezes é associado a momentos de lazer, vai muito além disso. Ele envolve atitudes simples e constantes que fortalecem o nosso emocional e nos ajudam a lidar melhor com os desafios que surgem no dia a dia.
Trouxe aqui algumas orientações práticas que podem contribuir de forma positiva para a saúde mental:
Estabeleça uma rotina de sono: dormir bem é de extrema importância para a regulação do humor, memória e disposição. Tente, se possível, criar um ritual noturno, como desligar as telas (higiene do sono), diminuir a luz e manter horários regulares para dormir. Pequenos hábitos podem mudar positivamente nossa qualidade de vida.
Movimente o corpo: diversos estudos mostram que a atividade física é uma grande aliada da mente. Caminhada, dança, ciclismo, pilates, natação… todas melhoram nosso sistema cognitivo, fortalecem a autoestima e reduzem o estresse. E não precisa ser nada muito intenso: o importante é estar em movimento.
Cultive boas relações: investir em momentos de qualidade, seja com amigos ou familiares, é considerado um fator “protetivo” para a saúde mental. Inclusive, recebe esse nome porque funciona como uma “proteção psicológica”, ajudando a reduzir o impacto de situações estressoras e aumentando nossa capacidade de enfrentamento.
Tenha momentos de lazer: a vida pode ser muito corrida, então reservar um tempo para descanso e atividades que tragam prazer é essencial — e também funciona como fator de proteção. Ler um livro, ouvir música ou simplesmente tomar um café "em paz" são formas de acalmar a mente e renovar as energias.
Faça exames de rotina, se possível: cuidar da saúde física é tão importante quanto cuidar da saúde mental. Muitas vezes, o desânimo ou a falta de energia (por exemplo), podem estar relacionados a outras questões, como alterações na tireoide ou deficiência de vitaminas, e não exclusivamente a fatores psicológicos.
Pratique o autoconhecimento: busque se (re)conhecer, compreender suas emoções e aprender a dizer “não” quando necessário. O autoconhecimento fortalece a saúde mental e ajuda a construir relações mais saudáveis consigo mesmo(a) e com os outros.
Apesar da campanha acontecer em setembro, essas estratégias precisam estar presentes em cada dia do ano. Ao adotar pequenos hábitos de forma contínua, com um passo de cada vez, você fortalece sua saúde mental, previne o sofrimento e constrói uma vida mais equilibrada.
Vale lembrar: buscar apoio não é sinal de fraqueza, mas de coragem e cuidado consigo mesmo(a). Se precisar — ou se conhecer alguém que precise — algumas possibilidades são: o Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo número 188, que, apesar de não se tratar de um processo terapêutico, pode ser válido em uma situação emergencial; as clínicas-escola de universidades, o CAPS de sua cidade, a Unidade Básica de Saúde do seu bairro ou até mesmo de forma particular, com um(a) profissional de sua confiança.
E como costumo dizer: você não precisa passar por isso sozinho(a). Busque ajuda. ?
Émille Caroline de Souza Mindelo
Psicóloga Clínica
CRP-17/6642