Por: Ismael Sousa
A repercussão da morte do morador em situação de rua, Antônio Luiz Rodrigues, de 48 anos, na última sexta-feira (27) que, a princípio teria sido por um ataque por óleo de cozinha, mas que - no decorrer das investigações - revelou-se que teria sido por doenças renais, mostrou que a nossa classe política, no geral, ignora a situação de pessoas que vivem à margem da sociedade.
O caso, que ganhou o destaque na mídia local e até nacional, gerou uma enxurrada de notinhas de políticos e outras figuras que almejam se candidatar. A morte de Antônio virou palanque para as eleições de 2024, muitos gritando por justiça de seus alpendres em Tibau. É difícil entender que esse caso especifico gerou revolta, mas a situação dos invisíveis que habitam a praça da Catedral, as escadarias do Banco do Brasil e portas de lojas do Centro, segue ignorada.
Todos querem lacrar com notinhas cheias de palavras bonitas, cobrando justiça social e a apuração do caso. Mas poucos são os que realmente reconhecem a situação e levantam o debate. Vi comentários de deputada de Natal, que talvez não saiba nem onde fica o Mercado Central de Mossoró, e que aparece somente em período de campanha, criticando os absurdos sobre o caso Antônio Luiz, antes da apuração real do caso.
O caso da morte de Antônio vai cair no esquecimento. As pessoas que vivem em situação de rua - os “invisíveis” - continuarão sendo esquecidos. Será preciso acontecer outra tragédia, que impacte, que viralize, para que a nossa classe política retome o debate, novamente, apenas por meio de notinhas de redes sociais.