A "camarotização", fenômeno que vem se difundido bastante durante o Pingo da Mei Dia, que abre tradicionalmente o Mossoró Cidade Junina, é fruto do crescimento do evento, porém, revela a preferência do mossoroense pela subdivisão de classes sociais. Segundo o jornalista César Santos, em sua coluna no Jornal De Fato, pelo menos 33 camarotes privados e de estabelecimentos comerciais (bares, restaurantes e casas noturnas) foram cadastrados na Prefeitura de Mossoró.
Mesmo com 12 atrações agitando em quatro trios elétricos, sem corda e sem abadás, em uma festa única, consolidada e intitulada como o único bloco junino do país, a preferência do público local ainda é pelos camarotes. Os espaços mais privados, atendimento VIP, conforto, open bar e atrações de peso, mostrando que o evento vem se tornando cada vez mais elitizado. Não importa o valor, as pessoas estão dispostas a pagar, tornando uma festa popular em algo extremamente lucrativa.
Os preços sobem a cada ano. A média, que antes era de R$ 50 a R$ 70 reais, por pessoa nos camarotes, passou para R$ 100 e R$ 140 reais. E não é para menos - os empresários estão apostando cada vez mais em atrações de peso para atrair o máximo de público. Por exemplo, em um dos camarotes, que ocupa boa parte da Praça da Convivência, a atração de destaque é nada mais nada menos do que a banda Grafith.
Porém, essa realidade ainda não reflete bem aos interesses dos turistas, que realmente injetam dinheiro na economia da cidade e que querem aproveitar o máximo todas as atrações e diversidade da festa. Em uma pesquisa rápida, a preferência de pessoas que vêm de fora é ir atrás do trio em meio a folia e o público geral.
A cada ano, o Pingo da Mei Dia, evento que em sua origem tinha a ideia de difundir a cultura tradicional e nordestina, está cada vez mais perdendo a sua essência pelos próprios mossoroenses, que adotam o estilo separatista através do impulso de distinção e consumo, como forma de se diferenciar dos demais mortais.