Vasculhando alguns sites de notícias da região, para me atualizar, me deparo com essa notícia do portal TCM Notícias, aqui de Mossoró. Só para resumir a história: uma mulher apodiense que mora há anos no Canadá, assistiu pelas redes sociais o carnaval de sua cidade e fez uma denúncia: ficou estarrecida com um folião que se pintou de preto em um bloco.
A matéria, no mais estilo padrão do site “Choquei”, estiga o leitor para o debate sobre racismo: “BlackFace”. Expressão criada para cancelar uma pessoa que andou fora da linha da patrulha ideológica. Algo parecido com "Mansplaining" (quando um homem dedica seu tempo para explicar algo óbvio a uma mulher) ou "Manterrupting" (quando um homem interrompe constantemente uma mulher, de maneira desnecessária).
Ou seja, tentaram cancelar um folião por conta de uma pintura corporal de carnaval. Parei uns poucos minutos para ler essa matéria e refletir sobre como a nossa sociedade hoje alimenta a indústria do cancelamento. É importante combater racismo, xenofobia, transfobia, mas tratar tudo como ofensa, racismo e discriminação, é exagero puro. O mundo está chato e insuportável.
As pessoas deixaram de viver e passaram a ser fiscais uns dos outros. Defecando regras aos demais em suas vidas perfeitas e monótonas nas redes sociais. No entanto, o que me causa surpresa é ver que isso gerou pauta para um veículo de comunicação de grande alcance e com excelentes profissionais, como a TCM.
Há vários anos o bloco “Os cão da Redinha”, em Natal, sai às ruas com várias pessoas meladas de preto e lama pelas ruas do bairro. Não vai demorar muito para começarem a falar sobre “DemonioFobia”.
Durante o Carnaval, Jesus Cristo foi ridicularizado enquanto o demônio foi exageradamente enaltecido em adereços, fantasias e carros alegóricos, mas ninguém mencionou a questão da “Cristofobia”. Nem mesmo a Igreja Católica se posicionou.
Cuidado com o que você vai se fantasiar no próximo carnaval. Poderá ser alvo da patrulha ideológica e parar em noticiários como a TCM.
Que povo chato do caralho!