A tentativa de culpar Cabo Deyvison (PL) pelo ataque que ele mesmo sofreu é esdrúxula. Não queria me posicionar sobre isso, até porque foram profissionais da imprensa que se manifestaram, alguns amigos meus, outros dos quais quero distância, mas é incrível como a sociedade normalizou tanto a insegurança e o avanço das facções que se normaliza um ataque a tiros em uma UPA, com uso de fuzil, enquanto se criminaliza e condena a atuação de fiscalização e cobrança de um parlamentar.
Muitos fazem isso por interesses políticos, claro. Quem paga escolhe a música. Eu vi vídeos, textos, comentários de jornalistas e influenciadores sobre o tema. Chegaram a divulgar informações falsas, afirmando que a vítima fatal, Allyson Diego, que fazia as imagens do vereador durante o ataque e morreu no atentado, não era assessor porque não era lotado no gabinete e que havia sido desligado em 2024. Cabo Deyvison só se tornou vereador em janeiro de 2025.
Cabo Deyvison foi atacado enquanto exercia seu mandato, fiscalizando, cobrando e denunciando problemas na segurança pública. Por isso, é impossível dissociar o atentado de sua atuação política. Atacar um vereador no exercício de sua função parlamentar é, sim, um fato com dimensão política que não pode ser ignorada.
É desumano tratar uma situação dessas dessa forma. A vítima vira culpada, passa a ser acusada de colocar a vida dos outros em risco, enquanto quem apertou o gatilho e efetuou os disparos deve ser relativizado.
Esse é o retrato cultural do Brasil. Vivemos em um narcoestado.