O cenário de 2026 está praticamente desenhado. Três pré-candidaturas postas: Rogério Marinho (PL), Cadu Xavier (PT) e Allyson Bezerra (UB). E não adianta olhar para as pesquisas feitas sob encomenda do Palácio da Resistência. As que realmente contam, como a Real Big Time, contratada pela CNN, mostram uma fotografia de polarização entre Allyson e Rogério, com Cadu muito atrás, sem fôlego para disputar protagonismo.
E aqui entra o ponto crucial. O PT sabe que Cadu não empolga, não traciona e não tem como chamar Lula para o RN todo dia para tentar fabricar uma polarização artificial. Sem esse combustível, a candidatura petista tende a minguar, e o jogo do segundo turno começa a ser montado antes mesmo do início oficial da campanha.
Se os números permanecerem como estão, Allyson e Rogério caminham para o segundo turno. E é aí que a lógica política atropela os discursos. Allyson é centro-esquerda, não importa o quanto tente vestir o figurino independente. Sua principal aliada nacional é a senadora Zenaide Maia (PSD), vice-líder do governo Lula no Senado. É ela quem fará a ponte, e fará com força, se o cenário exigir.
E qual seria o movimento natural do PT? Apoiar Allyson para impedir que o governo do Estado caia nas mãos da direita bolsonarista. Estratégia básica de sobrevivência política.
E o prefeito? Pode ele recusar esse apoio? Não. Não pode. No segundo turno, diante de uma disputa feroz com Rogério, seria tudo ou nada. Allyson vai precisar de cada palmo de terreno político, e o PT entrega muitos palmos.
Essa costura será feita por Zenaide Maia. Se ela se reeleger, terá força não apenas para costurar, mas para entregar o PT inteiro no palanque de Allyson, mesmo que hoje ele tente posar de opositor moderado.
O “pobrezinho” que ensaiou neutralidade pode terminar abraçado por Lula, Fátima e companhia. E isso não é futurologia. É apenas leitura política básica para quem enxerga dois passos adiante.