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Opinião: Nogueirão fechado, Baraúnas rebaixado, e a crise do futebol mossoroense

Opinião: Nogueirão fechado, Baraúnas rebaixado, e a crise do futebol mossoroense


Por: Ismael Sousa

O Estádio Leonardo Nogueira, o nosso sofrível ‘Nogueirão’, completa um ano de interdição, e a situação do futebol mossoroense só se agrava. Ao contrário do que alguns podem pensar, o fechamento do estádio não ocorreu exclusivamente após a queda da marquise em um chuvoso sábado de Carnaval em 2024. Antes mesmo desse episódio, a Justiça já havia determinado a interdição por falta de adequações de segurança e acessibilidade. A tragédia da marquise foi apenas a gasolina que faltava na fogueira. A queda poderia ter causado feridos ou mortos se houvesse pessoas no local.

Desde então, nada avançou. Na verdade, a situação piorou. Os clubes locais afirmam que perderam o diálogo com o prefeito Allyson Bezerra, além de patrocínios do município. Sem recursos e apoio, o Baraúnas teve que montar um elenco fraco, apenas para "cumprir tabela", o que resultou em seu rebaixamento. Fazer futebol no interior já é uma missão difícil; sem dinheiro é ruim, e sem estádio, pior ainda, pois os custos com hospedagem, alimentação, transporte e outras logísticas aumentam.

O deputado federal General Girão (PL) esteve em Mossoró e se reuniu com dirigentes esportivos, colocando seu mandato à disposição e esclarecendo sobre emendas destinadas para reabrir o Nogueirão com condições mínimas de jogo. A Prefeitura de Mossoró alegou que faria um novo estádio por meio de permuta, e o valor, inicialmente destinado ao estádio, foi redirecionado  para a agricultura familiar do Polo Maísa. Outra emenda, de R$ 500 mil, foi destinada pelo deputado Coronel Azevedo (PL), mas o impasse segue sem solução. Eles foram os dois únicos deputados a se preocuparem com a situação.

Os debates sobre a crise do futebol mossoroense revelam que interesses políticos e partidários estão sendo colocados acima das necessidades dos clubes e torcedores. O prefeito Allyson Bezerra vestiu as camisas de Potiguar e Baraúnas em 2021 e prometeu melhorias. Agora, pede um voto de confiança da torcida, mas também precisa aceitar as críticas, pois foi o principal interessado na permuta do Nogueirão.

O rebaixamento do Baraúnas é culpa do prefeito? Não. Porém, ele assumiu um compromisso com o torcedor em 2021. Mas também a culpa não é dos dirigentes, que são voluntários e não têm condições de bancar os custos dos times do próprio bolso. Sem estádio, sem renda, sem patrocínio, o resultado já era previsível.

Resta esperar que tempos melhores venham, mas os anos de 2024 e 2025 já entraram para a história como os piores do futebol mossoroense.

Allyson pode até conseguir construir o estádio daqui a um ou dois anos. Permuta ou reconstrução. Tanto faz! Mas, hoje, deve desculpas ao torcedor e aos times locais pela promessa de 2021.

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