Por: Ismael Sousa
Durante os quatro anos do governo Bolsonaro, o Movimento Brasil Livre (MBL) foi uma oposição ferrenha, chegando a aliar-se à esquerda em diversos momentos para apresentar pedidos de impeachment contra o presidente.
Hoje, com Lula na presidência (com a ajuda do MBL), o movimento que ganhou força com o impeachment de Dilma, em 2016, busca unir-se ao bolsonarismo e à direita mais raiz para protestar nas ruas contra a perseguição do judiciário aos parlamentares considerados "Lavajatistas", como Deltan Dallagnol.
Embora eu concorde que toda oposição deva se mobilizar em defesa do Estado Democrático de Direito contra abusos e perseguições do judiciário, é difícil imaginar que grupos tão antagônicos possam se unir em torno de uma pauta única. Ambos os movimentos têm egos inflamados e estão envolvidos em processos de desgaste mútuo.
O MBL adotou uma postura de hostilidade em relação ao bolsonarismo, com críticas severas e provocações que fortaleceram a narrativa do PT. Durante quatro anos, o MBL rotulou a direita bolsonarista de "gado", e agora busca a ajuda desse mesmo grupo para fortalecer suas mobilizações nas ruas, que são, repito, justas e legítimas.
O MBL e o bolsonarismo disputam o protagonismo na oposição ao PT no Brasil, e resta saber quem sairá vitorioso nesse embate. O bolsonarismo conta com uma legião de seguidores, deputados, senadores e, claro, a própria popularidade de Bolsonaro, enquanto o MBL possui apenas a sua narrativa.