Assisti ontem ao Espetáculo Oratório de Santa Luzia, dentro da programação da Festa de Santa Luzia, e saí com a certeza de que esta é uma das edições mais emocionantes e bem produzidas dessa tradição que já atravessa 25 anos.
A nova dramaturgia de João Marcelino deu um fôlego renovado à história, enquanto os arranjos musicais de Danilo Guanis criaram uma atmosfera sensível, potente e profundamente envolvente. A narrativa conduzida por Dona Rosa Fernandes, a mulher que doou o terreno onde hoje está a Catedral, ainda em 1772, ao lado do coro dos Peregrinos de Luz, é um dos pontos altos da montagem.
O espetáculo deste ano acerta ao trazer diversas tramas paralelas que enriquecem a trajetória de Luzia. Os dois soldados arrependidos, as gêmeas separadas que se reencontram, e a figura histórica de Prisca, esposa de Dioclecianus, cuja conversão ao cristianismo surge como uma bela surpresa para quem acompanha a encenação ano após ano. A liberdade poética usada para inserir Suzana e Lucrécia ao lado de Luzia também funciona, adicionando delicadeza e humanidade ao enredo.
Mas o que realmente me impressionou foram as coreografias de Adriano Duarte e Hykaroo Mendonça. Trabalhos ricos, precisos e visualmente impactantes, que elevam o espetáculo a um nível artístico ainda mais alto. Gostei muito do que vi, e digo isso como alguém que acompanha o Oratório há anos.
Esta edição honra a fé, a história e a devoção do povo de Mossoró, reafirmando o Oratório de Santa Luzia como um dos maiores patrimônios culturais da cidade.