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Não somos 213 milhões de tiranos, somos cidadãos

Não somos 213 milhões de tiranos, somos cidadãos

 

Por: Ismael Sousa

Li o artigo do Estadão que escancarou uma fala preocupante da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal. Ao dizer que, se não fosse o STF, haveria “213 milhões de pequenos tiranos” no Brasil, ela revela muito mais do que uma visão distorcida da democracia. Ela mostra como parte da nossa mais alta corte passou a enxergar o cidadão comum, eu, você, todos nós, como ameaça.

Essa declaração não é um deslize. É um recado. Um alerta. A Corte que deveria proteger nossos direitos agora desconfia de nós. E isso é gravíssimo.

Esqueça tudo que você aprendeu sobre direito, separação dos Poderes, presunção de inocência e liberdade de expressão. O STF de hoje não se satisfaz em julgar, quer legislar, censurar e controlar. E faz isso sem cor partidária. Atinge quem for, quando quiser e como quiser.

A pauta da regulação das redes sociais, por exemplo, virou um cavalo de Troia para censurar opiniões. Essa discussão nem está sendo feita onde deveria, no Congresso, por representantes eleitos pelo povo. Está sendo tomada à força, por quem não recebeu um voto sequer.

Como jornalista e editor de um blog, posso ser criminalizado por publicar uma opinião. Um pensamento. Uma crítica. Virei um “pequeno tirano” por ousar discordar de quem se acha acima do bem e do mal. Estamos vivendo uma era sombria, onde pensar virou ato de coragem. E ousar falar pode custar caro.

Não podemos aceitar que o Brasil caminhe para um modelo chinês de controle total da informação, como já elogiado por ministros do próprio Supremo. A liberdade de expressão não é luxo, é pilar. Sem ela, morremos como nação livre. Orwell escreveu 1984 como alerta. Hoje, virou realidade.

Se ser livre é ser tirano, então somos sim, 213 milhões de “tiranos” sedentos por democracia. Porque o verdadeiro tirano é aquele que teme o povo, e tenta calá-lo.

O preço da liberdade é a eterna vigilância. E a conta está chegando.