O 3º sargento da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, Gonçalves da Silva Junior, está sendo alvo de uma sindicância aberta pelo comando da corporação por críticas feitas nas redes sociais contra a governadora Fátima Bezerra (PT).
A sindicância foi aberta após o PM cobrar explicações sobre a compra de respiradores, por meio do Consórcio Nordeste, que nunca chegaram. Segundo o documento, o fato ocorreu no mês de abril deste ano com ampla repercussão nas mídias sociais.
Nas redes sociais o policial, que é apoiador do presidente Bolsonaro, se manifestou sobre as perseguições sofridas. “É inadmissível, em pleno século XXI, estarmos passando por isso. Tantos problemas assolam nossa instituição, são tantas as demandas da segurança pública, aí a Polícia, o Governo do Estado está perdendo tempo bisbilhotando rede social de cidadão de bem? Querendo punir Policial, por expor opinião que não configura crime?” – disse Gonçalves.
A Associação dos Praças da Polícia Militar de Mossoró e Região (APRAM) também se manifestou acerca da abertura da sindicância, e afirmou que o Governo do RN não tolera críticas e tenta amordaçar policiais militares.
“No episódio mais recente, fomos surpreendidos pela instauração de uma sindicância publicada no Boletim Geral nº 123, de 30 de junho de 2021, onde um sargento que publicou um vídeo em suas redes sociais pessoais fazendo uma crítica administrativa a gestão do Estado, e agora, vai responder a um procedimento que pode culminar com uma sanção para o policial militar.
O que chama a atenção na portaria de instauração da sindicância é o documento que deu origem e motivou a abertura do procedimento, que foi o Ofício nº 10/2021 – GAC, oriundo da Governadoria, ou seja, a abertura do procedimento ocorreu a pedido do Governo do Estado.
Em tempo, o jurídico das entidades orientam seus associados a terem o cuidado e discernimento com as falas e os termos utilizados em suas postagens nas redes sociais (se os fatos são verdadeiros e a crítica é respeitosa), haja vista o "policiamento" feito diariamente nesses meios de comunicação, estando o corpo jurídico das entidades a disposição dos seus sócios que forem vítimas de algum tipo de arbitrariedade.
As Entidades Representativas de Praças Militares do Estado do RN defendem a liberdade de expressão consagrada em nossa Carta Magna e repudia todo tipo de perseguição o assédio que por ventura venha a ocorrer em desfavor dos militares que emitam suas críticas a gestão em qualquer de suas esferas.”