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Moraes censura críticos e Brasil tem 'golpe de Estado' no Supremo, diz colunista conservadora do WSJ

Moraes censura críticos e Brasil tem 'golpe de Estado' no Supremo, diz colunista conservadora do WSJ


'Não é tarde demais para resgatar o Brasil de um retorno semelhante à ditadura', diz um artigo publicado neste domingo, 10/08, pela colunista Mary Anastasia O'Grady, no jornal americano Wall Street Journal (WSJ).

Sob o título Um Golpe de Estado na Suprema Corte do Brasil, a colunista argumenta que a "a liberdade nas Américas enfrenta um grau de perigo nunca visto desde a Guerra Fria" e diz que "homens fortes do século 21 estão copiando Hugo Chávez, que consolidou seu governo tomando o controle das instituições democráticas enquanto era popular e, em seguida, prendeu seus oponentes ou os exilou."

A colunista, conhecida por suas visões conservadoras e críticas a governos de esquerda na América Latina, resgata a abertura da criação do inquérito das fake news, pelo STF, em 2019.

O inquérito foi alvo de controvérsia jurídica, já que foi aberto por decisão direta do então presidente do STF, Dias Toffoli, à revelia da Procuradoria-Geral da República — ou seja, sem a participação do Ministério Público, que é a instituição responsável por investigar e denunciar criminalmente no país, segundo a Constituição Federal.

"Isso foi uma violação dos direitos constitucionais dos brasileiros, que têm o direito de ter seus processos criminais julgados em tribunais locais e estaduais, com acusações apresentadas por promotores locais e estaduais", argumenta O'Grady.

Julgamento do STF de junho de 2020 considerou o inquérito legal. A avaliação foi que o Supremo pode abrir investigação quando ataques criminosos foram cometidos contra a própria Corte e seus membros, representando ameaças contra os Poderes instituídos, o Estado de Direito e a democracia.

O artigo diz que o ministro Alexandre de Moraes, "conhecido por sua oposição ao então presidente Jair Bolsonaro", foi escolhido "a dedo" por Toffoli para conduzir o inquérito, ainda que a designação dos ministros seja aleatória.

A colunista destacou ainda o inquérito das milícias digitais, de 2021, "que forçou a censurar conteúdo e desmonetizar brasileiros que tinham opiniões que o tribuna considerou inaceitáveis." O STF não comentou oficialmente sobre a acusação, por não se manifestar sobre inquéritos em andamento.

A colunista do WSJ também citou os ataques de 8 de janeiro, mas disse que "a maioria dos envolvidos parecia ser um bando de idiotas de tênis vagando pelo terreno sem armas."

Fonte: BBC Brasil