O comunicado do Palácio do Planalto sobre a conversa entre Lula e Donald Trump chamou atenção por um detalhe que pode mudar o tom das relações entre Brasil e Estados Unidos: Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio para conduzir as tratativas com o governo brasileiro.
Para quem não o conhece, Rubio é um dos políticos americanos mais duros contra regimes de esquerda. Filho de cubanos que fugiram da ditadura de Fidel Castro, ele construiu sua carreira denunciando o autoritarismo latino-americano travestido de “progressismo”. Foi um dos críticos mais implacáveis de governos como os de Cuba, Venezuela e Nicarágua, e não poupou palavras ao classificar líderes de esquerda do continente como “parceiros de tiranos”.
Agora, é esse mesmo Marco Rubio quem vai sentar à mesa com Geraldo Alckmin, Mauro Vieira e Fernando Haddad — três expoentes do lulismo moderado — para discutir o futuro das relações bilaterais. A escolha é simbólica: Trump mostra que não pretende fazer vista grossa para as afinidades ideológicas de Lula com regimes autoritários, especialmente com o de Cuba, país da história familiar de Rubio.
No fundo, o gesto é político e estratégico. Trump estende a mão, mas com a firmeza de quem sabe com quem está lidando. Ele traz Lula “cordialmente” para dentro da Casa Branca — mas sob o olhar atento de um conservador que conhece de perto o custo das ditaduras de esquerda. E, convenhamos: difícil imaginar Lula à vontade em um encontro cara a cara com Trump, sem o conforto do discurso ideológico ou da retórica antiamericana.