Quando o assunto é o coronavírus, nada se confirma e tudo se cogita. Com a queda do número de casos, surgem diversas hipóteses: a epidemia teria chegado ao fim, a segunda onda de contaminações acontecerá entre setembro e dezembro, ou ainda pegará todos de surpresa. Outra suposição é que parte da população não seria sensível à Covid-19, protegida por dois anticorpos que não seriam específicos à doença.
Enquanto a maior parte dos cientistas defende que a maioria da população mundial ainda não foi contaminada pela Covid-19, um estudo publicado na revista especializada Cell, divulgado na imprensa francesa, mostrou que de 40 a 60% das pessoas poderiam ser resistentes ao coronavírus, mesmo sem ter sido expostas ao vírus.
Chamada de "imunidade cruzada", essa proteção existiria porque os indivíduos teriam sido contaminados, no passado, por vírus que provocam resfriados comuns de estrutura semelhante ao Sars-CoV-2, criando uma barreira natural contra a infecção .
A imunidade cruzada é um jargão científico que explica uma imunização adquirida em uma primeira infecção e que protegerá mais tarde contra outros agentes infecciosos, sejam eles vírus ou bactérias. De maneira geral, um anticorpo é específico contra um agente, mas eventualmente pode atuar contra outros microorganismos de espécies próximas.
"Isso pode acontecer, as pessoas não reagem da mesma maneira. Existem indivíduos que vão cruzar pacientes contaminados e nunca ficarão doentes. É uma hipótese", frisa. "Mas a base do meu raciocínio é que o pico da epidemia passou, foi impressionante, contaminou todo mundo, mas não haverá uma segunda onda porque as pessoas que deveriam ser contaminadas já pegaram o vírus.
O epidemiogista francês Laurent Toubiana considera essa tese plausível. Pesquisador do Inserm (Instituto de Pesquisas Médicas da França), ele acredita que uma grande parte da população não seria sensível ao coronavírus, porque anticorpos não-específicos à Covid-19 poderiam protegê-los.
Fonte: RFI