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Governo do Estado rompe acordo e Apamim pode viver fim de semana de caos em Mossoró

Governo do Estado rompe acordo e Apamim pode viver fim de semana de caos em Mossoró


A Maternidade Almeida Castro (Apamim), e o Hospital da Mulher em Mossoró, enfrentam um cenário de alerta máximo neste fim de semana. O Governo do Estado não deu continuidade ao acordo firmado com a empresa Núcleo de Ginecologia e Obstetrícia de Mossoró (NGO), responsável por garantir parte da equipe de obstetras que atua nas unidades. Com a falta do cumprimento do acordo firmado, os três profissionais do plantão estadual deixaram de comparecer à Apamim, restando apenas dois obstetras mantidos pela Prefeitura de Mossoró, responsáveis exclusivamente pelos pacientes do município.

Em conversa com o Blog do Ismael Sousa, o médico obstetra Dr. Manoel Nobre fez um alerta: “O cenário é de caos. Podemos ter mortes de crianças e mães devido à alta demanda e à falta de profissionais”, afirmou.

A preocupação é real. Cerca de 70% dos atendimentos da maternidade são de pacientes vindos de cidades da região, e apenas 30% são de Mossoró. A Apamim, que já lida diariamente com superlotação, tem dias em que chega a realizar 30 partos em 24 horas, segundo o médico. Com a saída dos obstetras do NGO, a carga de trabalho se tornou insustentável.

Impasse

O NGO já prestava serviços à rede estadual, mas, segundo denúncias, a Secretaria de Saúde Pública (Sesap) firmou contrato com a empresa Justiz, de Natal, para atender o Hospital da Mulher, também em Mossoró. O problema é que a empresa nunca teve corpo clínico local.

Os poucos profissionais que vinham à cidade eram médicos da capital. Em setembro, esses mesmos médicos deixaram de vir a Mossoró após a Justiz vencer licitações para atuar nas maternidades de Natal, abandonando os plantões no interior.

Diante do risco de desassistência, a Sesap procurou o NGO e prometeu que até novembro romperia o contrato com a Justiz para firmar um novo acordo emergencial com o grupo mossoroense. O NGO então retomou os trabalhos no Hospital da Mulher, onde, segundo dados do próprio grupo, triplicou o número de internações, atendimentos e cirurgias.

No entanto, o compromisso não foi cumprido. No último dia de outubro, a Sesap informou ao NGO que não faria o distrato da Justiz e que, caso o grupo quisesse continuar atendendo, deveria fazê-lo sem contrato, sem segurança jurídica e sem garantia de pagamento.

A consequência direta da decisão é sentida na Apamim. Com apenas dois obstetras da prefeitura e nenhuma retaguarda do Estado, o atendimento de urgência está à beira do colapso.

A maternidade é referência para mais de 60 municípios do Oeste potiguar, e qualquer interrupção nos serviços pode resultar em mortes.