A chapa da oposição está formada. Álvaro Dias ao Governo do Estado e Styvenson Valentim ao Senado, em seu caminho natural à reeleição. O projeto conta ainda com o respaldo de nomes de peso como Paulinho Freire, Rogério Marinho, General Girão, Gonçalves, Azevedo, Carla Dickson, Brilhante e outros expoentes da direita e do centro potiguar. No papel, um arranjo robusto. Na prática, um enredo que já nasce com cheiro de contradição.
Porque, entre discursos inflamados sobre lealdade, coragem e “projeto”, desenha-se uma das mais simbólicas traições já vistas dentro da direita do Rio Grande do Norte. O deliberado apagamento do Coronel Hélio. Um nome que jamais poderia ser tratado como figurante, muito menos descartado, por quem se diz defensor da coerência política.
Hélio está há mais de um ano percorrendo o estado, organizando bases, promovendo encontros, debatendo os rumos do RN e levantando, sem terceirizações, a bandeira da direita. Ele enfrentou o terreno hostil, o isolamento e o desgaste natural de quem resolve peitar o sistema.
Deixá-lo fora desse palanque não é apenas um erro estratégico. É um golpe duro.
Lembro da declaração de Styvenson Valentim, na sede do PL, ao afirmar que, para enfrentar esse projeto, é preciso ter “culhões”. Pois bem. Com todo o respeito, se há alguém que demonstrou isso na prática foi o Coronel Hélio. E não, não se trata de coragem retórica ou de microfone. Enfrentar sozinho um estado historicamente dominado pela esquerda, sustentar um discurso de direita raiz e encarar o sistema, inclusive o STF, não é ter “culhões roxos”. É ter culhões cromados.
Se o PL cometer o erro de consumar essa exclusão, não estará apenas abandonando um aliado leal, mas ferindo de morte a própria narrativa que construiu. Porque um projeto que marginaliza um de seus pioneiros não nasce forte. Nasce capenga.
Hélio precisa ter espaço, voz, vez e candidatura. Sem ele, esse projeto não começa fragilizado. Começa semi morto.