O candidato a prefeito de Mossoró, Ronaldo Garcia, do PSOL, de 51 anos, professor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), visitou este Blogueiro e falou sobre suas propostas de campanha para o município. Na conversa, o candidato esclareceu sobre sua campanha diferenciada, seu jeito irreverente de dançar e ações que pretende implementar no município caso seja eleito prefeito no próximo dia 15 de novembro. Confira a entrevista:
Blog Ismael Sousa – Ronaldo, o que te motivou a sair candidato a prefeito de uma cidade do tamanho e dos problemas que é Mossoró?
Ronaldo Garcia – Eu vivo aqui em Mossoró há bastante tempo, e nós viemos de uma letargia muito grande. Entra governo, sai governo, e problemas simples como Raio-X do BH, como a malha asfáltica, como o transporte público, como o da saúde, segurança, são problemas que não têm tido soluções. Então, vendo isso, a gente acaba se motivando, e principalmente pelo fato de que está existindo uma grande vontade de destruir os serviços públicos, a carreira, com privatização de tudo, e a gente percebe que quando tudo tiver privatizado, quem não vai poder usar os serviços somos nós. As terceirizadas aumentam os efetivos cada vez mais, e os jovens perdem as oportunidades ao longo do tempo. Existem dois ralos, um ralo é as terceirizadas e o outro são os comissionados.
IS – Quais os principais desafios de uma campanha sem recursos e sem estrutura?
RG – Primeiro o fato de você não poder estar em todos os lugares. Isso é uma dificuldade. As pessoas chamam ou fato simples como pedir um santinho, as pessoas pedem e a gente não tem. Se você perguntar a mim se eu tenho inveja dessas grandes campanhas com montantes de dinheiro, carreatas, aglomerações, barulho e as vezes até cansando o cidadão no final de semana, as vezes passando por uma igreja e fazendo conta que ela nem existe, eu não queria ter dinheiro para ter esses privilégios. Gostaria de ter uma quantia razoável para fazer os filmes que tenho direito, de alguns segundos, ter dinheiro razoável para caminhar tranquilo pela cidade com combustível, então dinheiro para coisas simples mesmo.
IS – Esse fato de usar apenas bicicleta na campanha é alguma forma de conscientizar o eleitor para usar um meio de transporte barato e menos poluente?
RG – Tem isso também, mas o principal ponto é que Mossoró é uma cidade muito plana, tem muito pouco relevo. Ela é ótima para a confecção de ciclovias. Talvez o problema de Mossoró a questão relacionada a quentura. Mas se nós pudéssemos fazer uma ciclovia coberta, com certeza isso já mudaria.
IS – É possível fazer uma ciclovia coberta?
RG – É possível quando o poder público tem interesse e a população quer, então é possível. Como você sabe, aqui em Mossoró tem muita dificuldade de mobilidade, até a pé mesmo. O ônibus é outro problema de mobilidade presente. Então eu fiz um exame agora recentemente, eu estava com sobrepeso, inclusive deu calculo na vesícula, e aí aproveitei a campanha para perder alguns quilos. De fato, estava com 105 quilos e hoje estou em torno de 92.
IS – Essa decisão de não usar santinho de papel, carro de som e mobilizações de rua com aglomerações foi por causa da pandemia?
RG – Nós estamos vivendo um momento de pandemia, um momento crítico desse Covid-19. Eu tenho familiares em casa, inclusive minha mãe que tem mais de 90 anos, e a base da gente é a Casa 50, já que minha esposa não gosta muito dessas minhas andanças, então tem isso, essa questão, e uma outra questão que a gente vê por onde anda são as pessoas reclamando muito do volume alto, as vezes as pessoas falam gritando, buzinam, não respeitam o final de semana. Às vezes você chega do trabalho, que deitar tarde e não consegue. Realmente a gente tomou por essa opção. E o santinho se você percorre uma carreata dessas, no outro dia de manhã você vê que tem muito papel no chão, o que vai ocasionar poluição.
IS – Fale um pouco sobre sua vice, a Yasmin Dias
RG – Ela é uma pessoa de 24 anos, devido a sua orientação sexual, ela teve que sair de casa. Passou dificuldades, teve que morar sozinha, inclusive agora está desempregada e vivendo com o auxílio. Então assim, ela é lésbica, umbandista, coisas que eu concorde ou não concorde, é o partido, e a gente acompanha e respeita. E ela traz essa bandeira, ela comunga com os jovens, as feministas, os LGBTs. Nessa questão ela é importante, pois fala aquilo que não sei falar, que é representar os jovens.
IS – O PSOL tem uma forma diferente de se fazer política, digamos que vocês seriam à esquerda ao PT. Como é a afinidade entre os dois partidos?
RG – O PT é um partido que se diz de esquerda, mas está se convergindo mais para o centro. Eu reformularia a sua pergunta e dizia: por que vocês não estão com o PT? Existe uma questão fundamental, existem direitos que são alienáveis. E os direitos alienáveis ele passa pelos direitos humanos, social, trabalhista e dentro desses direitos está o previdenciário. Somos contrário a qualquer coisa que venha a prejudicar o trabalhador. Não poderíamos estar ao lado de Isolda quando ela estava votando uma reforma da previdência ainda mais cruel que aquela proposta por Guedes, Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia. Então a gente pensando nisso, não se coligou. Outro ponto é que o PROS e o Avante trabalharam naquela época para a derrubada de Dilma. Então isso faz com que o PT não entendeu o que aconteceu. Não poderíamos fazer aliança simplesmente com o fato de chegar ao poder analisar o preço dessas alianças. O único partido de esquerda nas eleições de Mossoró somos nós do PSOL.
IS – Seu vídeo está fazendo maior sucesso, em que você dança, vai até o chão e até rasga a calça. É algo que viralizou em Mossoró. Você criou esse estilo próprio ou se inspirou em John Travolta no filme “Os Embalos de Sábado à Noite”?
RG – Vou ficar bem à vontade para falar com você, porque a dança é uma expressão corporal. Por ela ser uma expressão corporal, eu invisto nisso, porque na verdade estou querendo passar uma mensagem enquanto eu danço. Para mim dançar uma dança que a outra dança, não interessa. Então é minha mesma. Não é só aquele passo que eu faço, também faço outros passos justamente por isso. Isso é espontâneo e muitos já me disseram que é por motivação de bebida. Eu trabalhei muitos anos na capotaria França e tinha esse jeito animado de ser, e quando eu pedi para sair de lá, minha mãe perguntou: e você vai viver de que? Como eu era uma pessoa muito dinâmica, muito contente e gostava de dançar, então meus amigos faziam questão de me levar. Usei isso como uma forma de extravasar e viver minha juventude mesmo sem dinheiro e condições.