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Em nota, Grito dos Excluídos diz ter sido vítima de intimidação e truculência durante desfile Cívico

Em nota, Grito dos Excluídos diz ter sido vítima de intimidação e truculência durante desfile Cívico

Por meio de nota divugada nas redes sociais, o movimento Grito dos Excluídos de Mossoró disse que os manifestantes que participaram do ato foram vítimas de "intimidação e truculência" durante o Desfile Cívico-militar que comemora o Dia da Independência.

A nota confronta a versão divulgada anteriormente pela Prefeitura de Mossoró, que afirmou que os manifestantes desrespeitaram a sequência do desfile, inclusive atrapalhando a passagem das crianças da Rede Municipal de Ensino.

Um manifestante chegou a bater boca com o secretário de segurança, General Eliezer Girão, que acabou sendo hostilizado e chamado de "vagabundo". A professora Eliete Vieira foi retirada a força por Guardas Municipais durante o desfile. Ela alegou que fazia o protesto na lateral contra o reajuste proposto pela Prefeitura.

Confira a nota:

A 23 anos, todo 7 de setembro, o Grito das/dos Excluídas/os se movimenta em todo Brasil fazendo denúncias das injustiças sociais. Em Mossoró, a prefeita Rosalba Ciarlini, como sempre, faz questão de mostrar com quantas truculências se tenta amordaçar o povo que exercita sua cidadania e reivindica direitos. Em suas gestões autorizava motos, cavalos e prisões, essa é a marca da Rosa.

A primeira truculência é a total falta de diálogo com o movimento e a imposição de que este só passasse pela avenida quando não houvesse mais ninguém para ver e ouvir a manifestação. A segunda é a ameaça. Quando Elieser Girão, secretário municipal de segurança, se presta ao papel de intimidar um grupo pequeno de manifestantes antes mesmo do início da movimentação: "tolerância zero" "cumpra-se" foram as ordens dada pelo coronel. A terceira truculência veio pela força coercitiva. Para tentar impedir que a marcha seguisse pelas ruas, a polícia militar fez um cordão de isolamento que não teve sucesso. Não houve violência alguma por parte das/dos manifestantes.

Movimento legítimo e pacífico, o grito incomoda a quem? Gritar por saúde, educação, segurança, cultura, moradia, terra expõe a má gestão dos recursos públicos e a desigualdade que assola a cidade, o estado, o país. Fazer denúncias em pleno desfile alertando sobre a falsa independência do Brasil é desafiar a ordem de maquiar a realidade. E isso, os poderosos não toleram, não perdoam. No entanto, o povo resiste. A resistência do Grito das/dos Excluídas/os 2017 mostrou que não é a truculência que pode calar o povo.

No palanque das autoridades, montado para ver o desfile passar, o deputado Beto Rosado foi diretamente escrachado por ser comparsa de Temer e ter votado pelo congelamento de investimentos em saúde, educação e na reforma trabalhista que só é boa pra patrão: "Não vai ter perdão! Todo golpista é inimigo da nação".

É forte a tentativa de impedir a manifestação popular. Quando não se consegue impedir, a última truculência a qual recorrem os opressores é o uso dos meios de comunicação que possuem no intuito de disseminar mentiras e forjar uma imagem negativa do movimento. Mas o Grito conseguiu seguir pacificamente ecoando as vozes das comunidades, das juventudes, das mulheres, do povo negro, lgbt, dos sem terra, sem teto e da classe trabalhadora.

Lutar não é crime, é direito! Que não nos enganemos, o tratamento que o Grito teve hoje, além de ser uma expressão das oligarquias no poder, trata-se de um processo de criminalização dos movimentos e da luta popular, por qual vem passando o país, se intensificando com golpe parlamentar-jurídico-midiático. Não recuaremos, ao contrário, intensificaremos o processo de organização e resistência popular, e convocamos todos os setores da sociedade a seguir em luta contra todos retrocessos e golpes diários a classe trabalhadora.

Fora Temer, Diretas já! 

Por saúde, educação, segurança e moradia. Por direitos e democracia, a luta é todo dia!

Organização do Grito, seguimos.

Foto: Ellen Dias