Principal liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, João Pedro Stédile abriu nesta terça-feira (11) a solenidade de lançamento da Frente Ampla pelas Diretas Já no Rio Grande do Norte, em Mossoró. Stédile fez um balanço da conjuntura política brasileira e sugeriu um boicote da esquerda às eleições caso o ex-presidente Lula seja impedido pela Justiça de participar do pleito.
A Prefeitura de Mossoró barrou a palestra do líder do MST que aconteceria no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, por considerar um evento "político-partidário". A organização do evento teve que mudar para o auditório de um hotel da cidade.
As contrarreformas da Previdência e Trabalhista também estiveram no foco do militante do MST. Para Stédile, os dois projetos importam mais para o país do que o nome que ocupará a presidência da República no momento. “O projeto da Globo é trocar o (Michel) Temer pelo (Rodrigo) Maia. Ele seguiria e convocaria eleições para outubro de 2018. Para nós, não importa quem vai estar lá: precisamos impedir as reformas da previdência e trabalhista. Mas o nosso campo só tem uma alternativa agora: lutar pelas eleições diretas para que tenhamos eleições já em outubro de 2017, mesmo que o próximo presidente governe por cinco anos”, afirmou.
João Pedro Stédile destacou também como pauta fundamental a proteção ao ex-presidente Lula numa possível prisão decretada pelo juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da operação Lava-jato. Segundo ele, caso isso aconteça, os movimentos populares não teriam alternativa que não seja ocupar as ruas.
“A outra batalha em termos de calendário é que, até o final do mês, o juiz Sérgio Moro dará a sentença a Lula. Se prender, os movimentos populares precisam ir para a rua. Temos que proteger o Lula. A defesa do Lula é a defesa da dignidade da nossa classe. Caso contrário, a esquerda precisa fazer um congresso e decidir pela não participação nas eleições. Não há como participar das eleições sem a participação do Lula. Se eles já escolheram o Dória, então que venha seo Doria, mas vai ter que disputar com o Lula”, afirmou sob aplausos do auditório lotado antes de fazer uma ponderação: "Só sairemos da crise com eleições. E o Lula tem que participar", encerrou.
Fotos: Frente Brasil Popular RN