A rapidez com que o Judiciário conduziu e concluiu o processo da chamada “trama golpista” envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro é de assustar. Celeridade e proporcionalidade em ações de grande complexidade.
Um comparativo com escândalos anteriores, especialmente os que envolveram o PT, evidencia a diferença de ritmo entre processos semelhantes em volume probatório e número de réus.
Mensalão: 91 meses até o fim.
No caso do Mensalão, um dos maiores escândalos já julgados pelo Supremo, o processo levou 91 meses entre a denúncia (abril de 2006) e o trânsito em julgado das condenações, como a de José Dirceu, em novembro de 2013.
Volume processual entre 10 e 70 GB de documentos.
Páginas 69 mil e 1 vídeo.
Réus: 38.
O julgamento se arrastou por anos, com longas fases de instrução, coleta de provas, oitivas e debates no plenário.
“Trama golpista”: sentença em menos de 9 meses
Já no caso da “trama golpista”, que envolve Bolsonaro e aliados, o processo percorreu o mesmo caminh, da denúncia ao trânsito em julgado, em aproximadamente 9 meses, uma velocidade dez vezes maior.
Denúncia: fevereiro de 2025
Trânsito em julgado: novembro de 2025
Volume processual: 70 terabytes, mais de mil vezes maior que o Mensalão
Réus: 37
Apesar da quantidade massiva de arquivos digitais (vídeos, áudios, mensagens e documentos) e do número semelhante de acusados, o processo foi concluído em tempo recorde.
A discrepância mostra as prioridades do Supremo e possíveis diferenças no tratamento dado a casos envolvendo diferentes espectros políticos. Em condições normais, o volume de provas e o número de envolvidos demandariam anos de tramitação.
A velocidade atípica do processo mostra a clara falta de transparência, isonomia e garantias processuais no sistema de Justiça, especialmente quando se trata da direita.