A Justiça Eleitoral cassou os mandatos do prefeito de Pedra Grande (RN), Pedro Henrique de Souza Silva, e do vice, Agrício Pereira de Melo, por abuso de poder político e econômico no evento “Verão da Gente 2024”. A decisão, assinada pela juíza Cristiany Maria de Vasconcelos Batista, da 52ª Zona Eleitoral, também tornou o prefeito inelegível por oito anos e aplicou multa de R$ 30 mil a cada um dos envolvidos.
O caso expõe um problema que se repete em diversas cidades do interior do Rio Grande do Norte. A utilização de grandes festas, pagas com recursos públicos, como palanque eleitoral. Só em Pedra Grande, foram R$ 2,6 milhões gastos com shows, quatro vezes mais que no ano anterior, enquanto serviços básicos sofrem com abandono. A presença de artistas como Wesley Safadão e Cláudia Leitte e o episódio em que o prefeito subiu ao palco para ouvir o coro “já ganhou tan-tan-tan” reforçaram a caracterização de campanha antecipada.
Serve de alerta para outros gestores que insistem em transformar eventos culturais em vitrines pessoais. A farra com dinheiro público, que deveria impulsionar turismo e cultura, muitas vezes vira ferramenta de autopromoção política.