As caixas misteriosas encontradas em várias praias de seis estados nordestinos podem ter origem em um navio cargueiro alemão afundado pelas tropas norte-americanas durante a Segunda Guerra Mundial. A conclusão foi lançada por um grupo de pesquisadores do Laboratório de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará (Labomar-UFC) após uma coincidência. A descoberta se deu quando a equipe buscava explicações para o óleo de petróleo cru que vem sendo encontrado na costa nordestina nos últimos 40 dias.
De acordo com o pesquisador do Labomar Carlos Teixeira, um conjunto de informações levou o pesquisadores a concluir que o material pertencia à embarcação “SS Rio Grande”, que teria sido batizada com esse nome para disfarçar a origem alemã. O navio foi torpedeado pela força aérea norte-americana a cerca de mil quilômetros do litoral de Pernambuco.
A embarcação está submersa a 5.700 metros de profundidade e só foi localizada em 1996 por um pesquisador norte-americano, que usou um submarino para achar os destroços. “O cargueiro está no lugar mais profundo já encontrado por alguém. Está mais fundo que o Titanic”, explicou Teixeira.
Para chegar a esta conclusão, o grupo de pesquisadores da universidade cearense usou como ponto de partida uma inscrição metálica encontrada em um dos fardos que encalharam na areia. “Essa placa tinha o nome da empresa que fabricava o produto, além do nome da Indochina Francesa, que ficou independente em 1953. A partir dessa informação, passamos a pesquisar e chegamos a esse navio afundado”.
Para reforçar a correlação entre o navio e as caixas misteriosas, os pesquisadores realizaram uma simulação numérica computadorizada. Nessa simulação, são liberadas partículas a partir do lugar onde o navio afundou e o resultado mostrou que esse material chegou exatamente no litoral nordestino.
E como explicar o vazamento das caixas da embarcação somente 75 anos depois de ela ter sido afundada? “Foi uma ruptura natural por causa do tempo”, suspeita o pesquisador da UFC.
Para comprovar a suspeita, integrantes do laboratório estão trocando informações com explorador norte-americano que descobriu o cargueiro afundado em 1996. “Ele está enviando fotos e outros dados que podem ser decisivos”, completa Carlos Teixeira.
Os primeiros fardos de borracha foram encontrados em outubro de 2018, e já houve registro na Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas, Ceará e Piauí. Um bloco chegou a causar a morte de uma mulher de 41 anos após um acidente com um bugue na Praia de Santa Rita, em Extremoz, no litoral potiguar. Na ocasião, o veículo colidiu contra uma caixa que estava na areia e pesava cerca de 100 quilos. A vítima, identificada como Rúbia Almeida, foi arremessada para fora do carro após o choque e não resistiu aos ferimentos.
Com informações: OP9


