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Ataque expõe falência na saúde mental e segurança nas escolas de Mossoró

Ataque expõe falência na saúde mental e segurança nas escolas de Mossoró

 

Por pouco, mas bem pouco, Mossoró não amanheceu com um massacre estampando as manchetes. Um adolescente, aluno da Escola Municipal Senador Duarte Filho, entrou armado com uma faca na intenção de matar o maior número de colegas possível dentro da sala de aula. Só não conseguiu porque um professor de matemática e outro aluno tiveram coragem e rapidez para conter o ataque. Mas um aluno autista ainda ficou levemente ferido.

A tragédia foi evitada. Mas por quem? Pela estrutura do Município ou Estado? Não. Foi evitada por pessoas. Indivíduos. Heróis anônimos que colocaram o corpo na frente para proteger vidas. O debate, como sempre, se acende em seguida. Mais guardas nas escolas, agentes armados, mais viaturas rodando no entorno. É o velho ciclo do paliativo. Parece que funciona, dá um pouco de sensação de segurança. Mas não vai no centro do problema.

O que leva um adolescente a entrar numa escola com a intenção de matar colegas? Isso não nasce do nada. Isso é um processo. É dor acumulada, é abandono emocional, é sofrimento psíquico ignorado. É uso excessivo do smartphone. Onde está a saúde mental no debate público? Em lugar nenhum. Porque não rende voto. Porque não dá para tirar foto com viatura nova.

Estamos falhando quando tratamos a violência nas escolas só com policiamento. É parte da solução, claro. Mas não é tudo. O problema precisa ser enfrentado onde começa. Na prevenção, no cuidado, no acompanhamento. A escola precisa ser lugar de aprendizado e acolhimento, não trincheira.

É hora de parar de empurrar essa bomba para o colo da segurança pública. Polícia não é psicólogo. Viatura não é terapia. Enquanto tratarmos só o sintoma e ignorarmos a raiz, estaremos sempre contando com a sorte, e com a coragem de um professor ou aluno — para evitar a próxima tragédia.



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