Últimas

Artistas circenses aguardam ansiosos retorno aos picadeiros: "o povo está carente de alegria"

Artistas circenses aguardam ansiosos retorno aos picadeiros: "o povo está carente de alegria"

Com picadeiro vazio e bilheteiras fechadas. Essa tem sido a realidade dos artistas circenses do Brasil. A pandemia da Covid-19 afetou a classe diretamente e tirou o brilho e a alegria de mais de 10 mil profissionais que se apresentam debaixo da lona. O Blog do Ismael Sousa conversou com um desses artista, o Acádias Alves Basílio, mais conhecido em Mossoró como palhaço "Balalu", dono do circo homônimo, que atua nessa profissão há 32 anos. Ele conta as dificuldades que os profissionais estão enfrentando diante da paralisação das atividades e as perspectivas de retorno dos espetáculos.

Babalu é um dos mais tradicionais e famosos palhaços de Mossoró. Ele conta que o nome do seu personagem surgiu ainda em 1989, e a explicação para a escolha se deve ao chiclete Babalu, que fez sucesso da garotada na época. "A propaganda estourou na televisão, e eu achei um nome muito bom e realmente explosivo, decorativo. Encaixou certinho no Babalu, conta.

O artista relata com tristeza a difícil situação enfrentada por quem depende do circo, a falta de ajuda financeira por parte do poder público e a solidariedade da população. "De março de 2020 para cá, nós só trabalhamos três meses. O povo tem nos ajudado muito, pois se o circo tivesse sobrevivido até aqui com ajuda governamental, a gente tinha morrido de fome. O circo tinha se acabado. Sofremos muito com essa situação que a gente vem passando, o artista sem o picadeiro não é ninguém", relata.

Babalu comenta ainda sobre a expectativa do grande dia do retorno das atividades e prevê um cenário com casa cheia e muita alegria. "A gente acorda, fica olhando para o circo e imaginando da nossa volta que vai ser com força. O povo está carente de alegria. O pessoal está só tendo sofrimento, só notícia ruim e então quando o circo voltar vai ser bom demais. O circo não morre nunca porque é autêntico, é vibrante e diferente", complementa.

Sobre a ajuda do setor público, Babalu conta que a categoria chegou a ser beneficiada através dos projetos da Lei Audir Blanc de apoio a cultura, regulamentada pelo Governo Federal em 2020, porém a ajuda de outros setores como a prefeitura ainda é uma realidade distante. "Ano passado teve a Lei Audir Blanc que quase todos fomos contemplados. Mas também foi só aquela lei. A ajuda diretamente da prefeitura não tem. Em Mossoró hoje temos quatro circos. Nenhum recebe ajuda, e a ajuda que recebem é uma cesta básica”, explica Babalu.

O palhaço finaliza a conversa com agradecimento ao reconhecimento e em relação a ajuda da população que tem sido constante nesse momento tão difícil de pandemia. “Eu quero dizer a esse povo maravilhoso que tem sempre nos acompanhado e nos ajudado nesse momento tão difícil, porque é quem está ajudando o circo sobreviver é justamente a nossa plateia. Estamos doidinhos para retribuir com muita alegria. O circo está preparado e estamos naquela vontade de trabalhar com força, com amor e carinho para fazer a alegria desse povo maravilhoso”, conclui Babalu.