A deputada estadual Isolda Dantas (PT) foi a campeã de votos em Upanema nas eleições de 2022. Com o apoio do então prefeito Renan, ela conquistou 2.606 votos, o equivalente a 29,08% do eleitorado. Para se ter dimensão do peso desse número, o segundo mais votado, o candidato apoiado pelo atual prefeito Allyson Bezerra, Jadson, recebeu apenas 600 votos no município.
Upanema definiu quem seria sua representante na Assembleia Legislativa. Mas, três anos depois, o retorno político parece distante, e caro.
Apesar de abrigar um dos maiores reservatórios do Rio Grande do Norte, a Barragem de Umari, o município enfrenta um colapso no abastecimento de água. Famílias relatam semanas sem receber uma gota nas torneiras. O comércio sofre. Carros-pipa se tornaram rotina, quase parte fixa da paisagem.
O pré-candidato Jorge do Rosário (PL) esteve na cidade, ouviu moradores e registrou em vídeo o drama. Uma terra cercada por água, mas com o povo condenado à seca doméstica.
Como explicar tamanha contradição? A resposta passa pela velha engrenagem do assistencialismo, uma máquina que, no interior potiguar, segue funcionando como sempre. A água existe, é abundante, está ali, mas não chega ao povo. Chega, sim, o caminhão pipa. Chega o pedido de paciência. Chega a promessa que nunca se cumpre, mas sempre retorna em época de eleição. O PT domina essa lógica com maestria. Água encanada não fideliza voto; a dependência, sim.
Upanema terá nova oportunidade nas urnas. Porque, se depender da deputada mais votada da cidade, aliada da governadora e, portanto, do comando da Caern, o futuro promete mais baldes vazios. Uma cidade com uma barragem gigante, mas um povo ainda refém da velha política da sede.