A nominata do MDB, partido comandado no Rio Grande do Norte pelo vice-governador Walter Alves, caminha para ser salva graças a um acordo político com o PP e o União Brasil, liderados no estado pelo deputado federal João Maia e pelo prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra. Em contrapartida, o MDB deverá apoiar a candidatura de Allyson ao Governo do Estado em 2026 e ainda indicar o candidato a vice-governador.
O entendimento veio à tona após o próprio João Maia (PP) revelar detalhes do acordo em entrevista ao jornalista Rosivan Amaral, confirmando o que já circulava nos bastidores.
Com dificuldades para montar chapas competitivas, o MDB desistiu de lançar pré-candidatura a deputado federal e enfrenta obstáculos até mesmo para fechar uma nominata viável para deputado estadual. A situação é considerada crítica dentro do partido, que agora depende diretamente do apoio da federação União Brasil–PP para tentar eleger ao menos Walter Alves à Assembleia Legislativa.
O cenário inviabiliza, inclusive, um plano que chegou a ser discutido internamente. A assunção de Walter Alves ao Governo do Estado em caso de renúncia da governadora Fátima Bezerra. Segundo apurado, Walter condicionava a decisão à liberação de cerca de R$ 1 bilhão em recursos federais, para manter a folha salarial, quitar débitos com terceirizados e prestadores de serviço e dar andamento a obras. Sem garantia desses recursos, a estratégia foi abandonada.
A crise no MDB se aprofundou quando deputados que planejavam migrar para o partido recuaram. Parte do grupo que acompanharia Ezequiel Ferreira deu marcha ré após a indefinição sobre o futuro do governo. Alguns tendem a seguir Ezequiel em um novo destino partidário; outros devem migrar para o PP ou para a federação PT/PCdoB/PV.
A federação União Brasil–PP avança na montagem de uma nominata robusta para a Assembleia Legislativa. O grupo já se comprometeu a apoiar o deputado Kléber Rodrigues na disputa pela presidência da ALRN e pode contar com nomes como Galeno Torquato, Cinthia Pinheiro, Nelter Queiroz, Ivanilson Oliveira, Neilton Diógenes e Robson Carvalho, com potencial para eleger até seis cadeiras.
Paralelamente, Ezequiel avalia uma possível ida ao Republicanos, movimento que pode levar consigo mais três deputados estaduais, redesenhando novamente o tabuleiro político.
A condução de Walter foi decisiva para o enfraquecimento do MDB. O governo teria trabalhado de forma antecipada para esvaziar a nominata do partido, diante da sinalização de que Walter não assumiria o Executivo. Deputados que planejavam ingressar no MDB confiavam na estrutura do governo e, com a mudança de rumo, abandonaram o projeto, deixando o vice-governador politicamente isolado.
Hoje, o MDB se vê refém de outro grupo político para tentar sobreviver eleitoralmente em 2026, após a implosão de suas chapas federal e estadual.