Márcio Wendel Paulista de Figueiredo. Por esse nome ninguém vai saber de quem se trata. Mas se disser “Bia Beatriz”, todos conhecem. A transexual mais famosa de Mossoró conversou com esse blogueiro, após muitos internautas sugerirem, no nosso Instagram, para que eu conversasse com ela no intuito de contar um pouco de sua história.
Bia é uma pessoa de jeito simples, alegre e extrovertido. Vagando por vários bares da cidade, ela se veste de forma extravagante e usa maquiagens pesadas no intuito chamar a atenção por onde passa.
Problemas com álcool e drogas não impedem de Bia viver da forma como sempre quis. Na noite desta sexta-feira, 11, encontramos com ela na primeira fila dos bancos da Catedral de Santa Luzia. Acompanhando atentamente o sermão da novena, e agradecendo à Santa Luzia pelas graças alcançadas devido a recuperação após acidente no ano passado.
Ela afirmou que a dança age como um remédio para curar as tristezas e os problemas do dia a dia. “A dança para mim é como um remédio para o meu coração. A dança é uma terapia, e a gente nunca vai deixar de gostar e de se amar por conta dos problemas naturais que tanto nos atingem. ”, disse.
Bia diz ainda que sempre por onde passa é bem recebida e respeitada. Ela afirma que nunca sofreu preconceito por conta de sua orientação sexual. Seja nos bares, nas festas ou em eventos público, dançando e bebendo, é difícil não notar a presença dela.

“Eu ando em todos os bares, com minhas maquiagens e minhas roupas fechosas, porque sou uma travesti, sim, e tenho orgulho de ser quem eu sou. Toda multidão conhece Bia Beatriz, e eu não sofro preconceito pois o amor, o respeito e o caráter estão acima de tudo. O amor do ser humano está no coração de qualquer um.”, complementou a trans.
Bia também relembrou os tempos difíceis em que passou quando sofreu uma queda e bateu a cabeça no chão durante um mal súbito no Hotel Caraúbas, fato ocorrido em agosto de 2019. Foram aproximadamente 30 dias de internação tratando de um traumatismo craniano no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM). Para Bia, o que manteve ela viva durante o período de internação foi a fé.
“Cai, bati com a cabeça e apaguei. Ninguém me empurrou. Mas muita gente rezou por mim, e eu agradeço, primeiramente a Deus e a Santa Luzia que me vigiaram durante esses tempos difíceis. E estou aqui sã e salva contando essa história, porque eu não pensava na morte, mas a morte era quem pensava em mim”, concluiu.
Nota do Blog: Bia Beatriz é uma das vastas figuras folclóricas que existem na nossa cidade. São pessoas simples, humildes, mas cheias de histórias para contar, porém, muitas vezes ignoradas e achincalhadas. E nós, do Blog do Ismael Sousa, estamos dispostos a contar essas histórias, pois são pessoas como Bia, com seu jeito alegre e sorridente, que fazem parte da história e cultura de nossa cidade. Vida longa, Bia!